Tony Felício

 “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.” (Ef 2.1-7)

H

avia um hábito, uma possibilidade muito interessante na cultura judaica: uma criança poderia ser escolhida por um mestre ou rabi para segui-lo, mas ela precisaria cumprir alguns pré-requisitos. Numa determinada idade, ou ela se tornava seguidora desse mestre ou, então, seguia a profissão de seu pai, o caminho normal da sua família. Havia então nas crianças uma grande expectativa de que, em determinada idade, fossem escolhidas por um mestre.

            Imagine Pedro, por exemplo: já pescador, já tendo seguido essa segunda alternativa, recebe a visita de Jesus que, na condição de mestre, convida Pedro para segui-lo. Este, talvez já sem nenhuma expectativa ou esperança de seguir alguém, de repente recebe o convite de alguém tão especial, um mestre judaico, o próprio Senhor Jesus, o Messias de Israel.

            Essa situação reflete perfeitamente a nossa história. Todos nós tínhamos um curso normal ou comum de vida. Talvez iríamos seguir a cultura ou forma de ser que os nossos pais nos legaram. Mas um dia o Mestre dos mestres, o Senhor dos senhores chegou diante de nós e disse: “Venha após mim!”, e tudo aquilo que tínhamos antes perdeu o sentido, porque, agora, a única coisa que nos interessava e fazia sentido era olhar para o Mestre que estava à nossa frente e, assim, conhecermos uma nova vida e a nossa real identidade. Deixamos ser pessoas “normais” para sermos seguidores do nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo!

            Cada um de nós andava segundo o nosso curso natural de vida e seríamos, no máximo, iguais aos nossos pais ou algum modelo que elegemos para seguir; alguém com muita força de influência em nossas vidas. Porém, um dia, o nosso modelo máximo e supremo nos alcançou.

            Ele nos chamou para sermos seus seguidores com o propósito de conhecermos nossa verdadeira identidade, porque ela está completamente relacionada à identidade do próprio Cristo. A dúvida sobre quem são tem levado muitas pessoas a buscar a resposta em si mesmas, fazendo coisas que glorificam ou chamam a atenção para si. No entanto, a resposta a essa pergunta não está naquilo que podemos conquistar, mas, sim, no fato de que fomos conquistados por Cristo – aquele que nos fez, aquele que nos desenhou ou projetou, aquele que escreveu no seu livro todos os nossos dias. Ele nos conquistou! Então, o que nos importa não é ter a resposta a “quem sou eu”. O que realmente nos importa é buscar a resposta de quem ELE É e contentar-nos com o fato de que pertencemos a ele!

            Houve um momento muito interessante na história da igreja, onde “os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos” (At 11.26). Isso aconteceu em Antioquia, uma igreja que nasceu a partir da dispersão provocada pela perseguição que sobreveio à igreja de Jerusalém após a morte de Estevão. Quando as pessoas chamaram aqueles nossos irmãos de cristãos eles ainda não tinham a referência de “cristão” que nós temos. Hoje, quando as pessoas falam esta palavra, elas associam o termo à uma religião, a um conjunto de práticas, de ritos ou, até, a usos e costumes que muitos têm. Mas quando aquelas pessoas em Antioquia identificaram os discípulos como cristãos, eles não tinham essas referências culturais atuais e, sim, apenas a referência de um homem que havia passado pela Terra cujos ensinamentos, práticas e estilo de vida eram seguidos de forma idêntica por aqueles homens. Assim, quando chamavam alguém de cristão estavam dizendo: “Eis aí um pequeno Cristo”, uma miniatura de Jesus, alguém parecido com ele, alguém que fala, anda, prega, faz, pensa, vive como ele. Aquelas pessoas usaram a identidade de Cristo para explicar a identidade dos seguidores de Cristo – e essa é a nossa identidade!

            Não podemos ser reconhecidos hoje apenas como membros de uma igreja ou religião! As religiões perderam a credibilidade, não salvam as pessoas, não as transformam, não as levam para onde Deus quer que elas estejam. Jesus, no entanto, faz tudo isso que a religião não faz. Então, é um privilégio quando alguém nos pergunta quem nós somos e respondemos: “Eu sou um seguidor, um discípulo do meu mestre Jesus!”

            Havia um ditado que dizia mais ou menos assim: “O discípulo segue o mestre na expectativa de que a poeira da capa dele alcance a sua própria capa”. Assim, havia uma expectativa naqueles homens de que, andando atrás de seus mestres, o vento trouxesse aquela poeira e repousasse sobre eles. Não havia nada mais importante para um discípulo do que receber aquilo que seu mestre tinha, do que ser da forma que seu mestre era. E assim somos nós! Nós somos seguidores do Mestre! Essa é a nossa identidade!

            Seguir a Cristo é ser tão parecido com ele a ponto de, quando olharem para nós, nos identificarão como sendo ele próprio.

Seguir a Cristo é receber o que ele é, do que ele é, do que ele tem. Isso é um maravilhoso e tremendo privilégio!

Seguir a Cristo significa ir em todos os lugares onde ele foi, onde ele está indo e onde ele deseja ir, porque ser seguidor pressupõe que há alguém diante de nós e há um caminho para percorrermos atrás dele.

            Seguir a Cristo é, quando alguém nos ver, não nos identificar sem antes ver Cristo em nós, pois, na prática, estamos colocando Jesus à nossa frente. Significa deixar que apenas ele seja visto, conhecido, percebido em nós e não fazer de outra coisa algo tão importante quanto isso.

            Quando eu estava na fase chamada de “adolescência” comecei a me perguntar: “Quem sou eu?” E tem sido impressionante até hoje como Deus não gasta tempo conversando comigo sobre mim! Muitos problemas emocionais ou psicológicos são provocados pelo fato das pessoas ficarem muito centradas em si mesmas: “O meu problema; a minha luta; a minha dificuldade; a minha história; o meu passado; o meu pai; a minha mãe; o meu cônjuge; o meu filho”. Mas Deus não “gasta” tempo conversando sobre essas coisas.

            Uma situação escandalosa para mim foi a morte dos meus pais. Eles faleceram em um acidente voltando de um Retiro que eu mesmo havia pedido que eles fossem. Ora, o que você acha que eu falei para Deus em seguida? O que você falaria? “A culpa foi minha!” Mas eu lembro Dele falando quase audivelmente comigo: “Obrigado, Tony, pois você me deu dois presentes.” Ele não discutiu comigo, porque aquele pensamento focado em mim mesmo não me traria nenhuma saúde. Mas pensar em Cristo e deixar que ele crescesse em mim me daria saúde.

            Por isso eu digo especificamente a você que enfrenta situações parecidas: volte a sua atenção para Cristo, trabalhe para exaltá-lo, para fazer dele alguém mais visto do que você é visto, mais importante do que você se acha importante ou do que as pessoas lhe achem importante, “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36).

            Quero lembrar alguns momentos da vida de Jesus e de como é importante para nós aprender a segui-lo em nossos próprios momentos de vida.

            Uma das cenas mais lindas e apaixonantes das Escrituras foi a visita do Anjo a Maria. Uma mulher jovem, linda, noiva recebe uma visita altamente especial, dizendo: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1.35). Maria recebeu a visita do Espírito Santo que gerou nela o Filho de Deus – algo absolutamente fantástico, divino, maravilhoso. Uma responsabilidade única de Deus de Se transformar em um embrião e entrar no ventre de uma simples mulher. Não havia nada de especial ou divino em Maria para receber Jesus, mas ela recebeu essa graça porque aquilo era uma obra do próprio Deus. O Espírito a envolveu, a cobriu e Deus fez nascer dentro dela o Seu Filho.

            Outra cena foi quando Nicodemos, um mestre da Lei, procurou Jesus:

“Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (Jo 3.2-7)

            Jesus estava dizendo que assim como ele havia sido concebido pelo Espírito, de uma certa forma todos nós, para nascermos de novo, precisamos entrar no “útero” de Deus, precisamos entrar Nele e deixar que Ele nos regenere, nos faça de novo. A velha vida não tem mais condições de permanecer pois Deus não faz “reformas”. Não tem como ser cristão apenas adotando um conjunto de novas práticas e permanecendo com as antigas. Não tem como ser cristão se não for como Cristo e, se não for como ele, é anticristo! Por mais que alguém tenha conhecimentos bíblicos, práticas religiosas e vestimentas diferenciadas não são essas coisas que o tornam um cristão, mas, sim, que o Espírito Santo pairou sobre ele, o cobriu com Sua sombra, colocou Jesus dentro dele e ele dentro de Jesus, ou seja, passou por um novo nascimento.

            Você se lembra do dia em que nasceu de novo, do dia em que Deus fez de você uma nova criatura por uma obra completa e exclusiva Dele? Por algo absolutamente divino, sem participação nenhuma sua? Alguns ainda acham que isso aconteceu porque eram “bonzinhos” e merecedores, mas sabemos que não é assim.

            Aos oito anos de idade, em uma manhã de domingo, na Escola Dominical da igreja, embaixo de uma árvore, o Espírito me visitou e eu tive certeza de que precisava que alguém me libertasse de mim mesmo, certeza de que precisava de um Salvador, certeza de que Ele precisava me pegar e me levar para um lugar onde eu pudesse passar por uma regeneração; não por uma reforma, mas por um novo nascimento.

            O mesmo Espírito que colocou Jesus dentro de Maria é o que nos coloca dentro de Jesus! Está escrito na descrição do batismo:

“Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.” (Rm 6.4)

            Diante disso, eu pergunto: Onde está o “útero” de Deus? Onde fomos inseridos para o Espírito nos regenerar? Esse útero se chama Jesus Cristo crucificado, uma rocha fendida, um útero aberto. É Deus dizendo: “Vem para cá! Onde você está não tem jeito!” Ele, que não conseguia ter nenhuma intimidade com o pecado, que permanecia distante do pecado, encarnou Jesus e o deixou na cruz para que esse útero, Jesus, pudesse ser aberto e nos fizesse entrar nele. E, quando entramos nele, ele morreu. Morreu porque o pecado e os pecadores estavam dentro dele. Isso se chama GRAÇA!

 

Alguns aspectos do que é seguir Jesus

1) Seguir Jesus significa ser capaz de contar a história passada de uma pessoa chamada na Bíblia de “velho homem”. Não é cristão quem permanece com duas vidas – isso é “esquizofrenia espiritual”. Não é cristão quem apenas fala de Cristo mas não vive Cristo. Claro que essa mudança não acontece de uma hora para outra, mas é um processo de SEGUIR. Não importa agora o quanto eu já sou parecido com Jesus, mas importa que eu prossiga para o alvo – quem não é o céu, mas uma pessoa, o próprio Cristo.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (...) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.1,14)

            Jesus era cheio de graça, de favor, de amor, de verdade. Não dá para separar o que ele falava do que ele vivia, pois sua identidade era a sua palavra. Ou seja, ele era (e é) o que ele falava (e fala)! Quando Deus quis falar sobre graça, sobre misericórdia, sobre amor, sobre santidade, sobre verdade Ele encarnou Jesus: “E vimos a sua glória”. Era algo real: o que ele falava ele vivia e o que ele vivia estava em suas palavras. Portanto, ser um seguidor de Cristo é viver assim: o que a gente fala é o que a gente vive e o que a gente vive é o que a gente fala. Isso se chama INTEGRIDADE.

2) Seguir Jesus não é falar dele e fazer diferente dele; não é usar as palavras dele e dizer: “Ele é Jesus, ele é Deus, mas eu sou humano, sou falho!” Não! Ser cristão é ter a coragem de dizer: “É verdade, eu não presto, mas Cristo vive em mim e eu quero que a palavra dele seja o que eu vivo e o que eu vivo seja a minha palavra!”

            Infelizmente isso é algo muito frequente no mundo. Muita gente se identifica como cristão, mas não deveria. Estamos próximos dos dias do fim e uma das características que Jesus diz desses dias é que ele irá separar as ovelhas dos bodes (Mt 25.32,33), ou seja, vai deixar bem evidente quem é e quem não é cristão. Mas eu creio e declaro que nós estaremos do lado das ovelhas porque fomos seguidores de Jesus de verdade, porque andamos no caminho, porque nunca julgamos ter alcançado, mas jamais deixamos de segui-lo. Aleluia!

            Ser cristão é ter a vida igual a palavra e ter a palavra igual a vida: “Falai de tal maneira e de tal maneira procedei...” (Tg 2.12a). Isso é COERÊNCIA. Pedro disse:

“...antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo...” (1 Pd 3.15,16)

            Precisamos ter claro em nossa consciência de que não existe nada que nos desabone, coisas mal resolvidas e incoerentes. E, se alguém falar mal de nós não tem problema, pois temos a consciência pura de que estamos vivendo de maneira coerente com o que falamos.

3) Seguir Jesus é cumprir a perfeita e completa vontade do Pai.

“Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (Jo 4.34)

            Às vezes dizemos: “Tenho de obedecer, de fazer a vontade de Deus... fazer o que né? Se eu não fizer, já era!” Encaramos a vontade de Deus como se ela fosse diferente do próprio Deus, mas Paulo diz que essa vontade tem três características: ela é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). E Deus é bom, é perfeito e é agradável. Não estou dizendo que a nossa carne ache isso, mas que o homem regenerado em Cristo sabe que é assim!

            Então não é uma obrigação fazermos a vontade do Pai, mas é algo bom, gostoso, agradável – é a nossa comida, como disse Jesus. Biologicamente falando, nós somos o que comemos. As proteínas que formam os nossos músculos são constituídas por aquilo que comemos. Jesus estava dizendo que ele era formado da vontade de Deus, que a sua estrutura era composta pela vontade do Pai. Ele disse:

“Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz.” (Jo 5.19)

            Em outras palavras, ele também era um discípulo do Pai. Deus fazia as coisas, mostrava a Jesus e ele O imitava. O nosso chamado é o mesmo: fazer a vontade do nosso Pai.

“Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá.” (Jo 6.57)

            O Filho se alimentava da vontade do Pai e nós, discípulos de Jesus, nos alimentamos daquilo que alimenta Jesus, daquilo que é o próprio Jesus, pois ele é a vontade do Pai. Então, quando olhamos para o Filho sabemos o que fazer e como fazer. Se algum dia você estiver em dúvida do que fazer a dica é muito simples: pense no que Jesus faria, pergunte ao Espírito Santo como Jesus agiria nessa situação.

            Profeticamente falando, chegou a hora de sermos um povo que não reclama da vontade de Deus mas que dela se alimenta, que a ama e que põe essa vontade na sua mesa de manhã, ao meio-dia e à noite, pelo menos. E, quando descobre a verdade de Deus que está na mesa, a escolhe fazer com prazer. Seguir Jesus é negar a nossa própria vontade quando ela discorda da vontade de Deus, é ter a mesma vontade dele de obedecer o Pai.

            No Jardim do Getsêmani, naquela hora tão difícil em que o tentador estava pressionando Jesus, mesmo tendo percebido em si uma vontade diferente do Pai, sua escolha foi coerente com sua estrutura: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.” (Mt 26.39). Ele comeu novamente o que Deus lhe apresentou!

            Quando pensarmos em Jesus fazendo a vontade de Deus, vamos nos lembrar que o Getsêmani e a cruz foram apenas parte dessa vontade, mas não toda ela! Jesus vir em carne, andar com as pessoas, curar e libertar pessoas, ressuscitar mortos, andar sobre as águas e etc. também foi a vontade de Deus. Então, fazer a vontade de Deus é andar continuamente no sopro do Espírito Santo, é ir além daquilo que é o nosso óbvio, o nosso natural; é ver agora o que Deus está vendo para ver depois o que Ele está vendo – isso é FÉ. É andar de acordo com outro prisma, com outro parâmetro.

Fazer a vontade de Deus é viver guiado por aquilo que talvez a gente não saiba ainda. Nós gostamos muito das coisas mensuráveis e por isso nos privamos, não experimentamos da vontade Dele muitas vezes.

Certa vez, fizemos uma campanha evangelística no sul do país. Tínhamos de evangelizar, fazer teatros etc. e, então, começou a chover. E eu disse: “Deus, precisamos conversar!” Para mim era óbvio que, chovendo, não daria para evangelizar, pois o faríamos em praça pública e as pessoas não iriam. E era óbvio para mim que Deus queria que o fizéssemos. Então comecei a orar e a chuva parou. Mas logo voltou a chover. E orei de novo, mas Deus falou comigo: “Tony, o que é mais poderoso para você? Eu fazer a chuva parar para as pessoas virem ou Eu trazer as pessoas mesmo debaixo de chuva?” Conclusão: as pessoas encheram a praça mesmo debaixo da chuva! Evangelizamos, muitos foram alcançados por Jesus e até hoje existe uma igreja naquele bairro. Isso por causa de um dia em que as pessoas foram debaixo de chuva, apesar da minha incredulidade.

Fazer a vontade de Deus é ter a possibilidade do novo, do eterno, do sobrenatural. Jesus andava assim. A cada dia ele perguntava: “Pai, qual é a comida de hoje?” Da mesma forma, devemos perguntar diariamente ao Pai: “Jesus, o que vamos comer hoje? O que faremos juntos hoje?” Isso é viver pela vontade de Deus!

4) Seguir a Jesus é viver para os outros até a morte.

“E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (2 Co 5.15)

            Viver para Jesus, que não necessita de nada, é viver com foco Naquele que foi o foco dele. Na cruz ele recebeu sua última tentação:

“De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.” (Mt 26.41-43)

            Ele não desceu da cruz porque ele não veio, não viveu e não morreu para si mesmo. Seguir Jesus é voltar os olhos para os outros e não para si mesmo. Quando você dá, recebe vida e saúde; quando você retém, recebe fraqueza, doença e morte. A “matemática” de Deus é o contrário: “Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.” (Lc 9.24).

            Imagine o dia a dia dos discípulos: eles nunca viam Jesus fazendo algo para si mesmo. Nem mesmo se defendia quando era acusado. A rotina que viam de Jesus era ele curando um, pregando a outro, recebendo uma criança aqui, ressuscitando um morto lá, aconselhando um aqui, curando um leproso lá etc. Era sempre Jesus “com” alguém e “para” alguém. Será que em nossa vida cristã diária os nossos filhos naturais e espirituais nos veem focando nos outros? Ou nos veem focando somente em nós mesmos? Que eles possam nos ver como os discípulos de Jesus o viam: ocupado com os outros! Por isso somos igreja. O cerne, o sentido da igreja é: “uns aos outros”.

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fp 2.5-11)

            Jesus teve uma vida focada no Pai, naquilo que o Pai queria fazer, para que um dia recebesse o foco do Pai sobre si e receber um nome acima de todo nome!

Eis o que significa seguir Jesus: viver aqui na Terra todos os dias para fazer a vontade dele, centrado no caráter e poder dele, focado nos outros para, um dia, receber o foco Dele.

“O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Ap 3.5)

            Quem está dizendo isso? O próprio Jesus! Ele está dizendo: “Meus discípulos, vençam! Permaneçam comigo me seguindo até o último dia, porque eu tenho algo reservado para vocês naquele dia! Eu vou me levantar, vou pegá-los pela mão e vou confessar seus nomes diante do meu Pai e dos anjos!”

Pergunto: Será que vale a pena eu viver buscando qual é o meu próprio nome? Ou é melhor eu viver buscando qual é o nome dele para que, naquele dia, ele finalmente poder dizer qual é o meu nome e confessá-lo diante dos meus irmãos e do meu Pai?

Falei no início que a igreja em Antioquia, onde os irmãos foram identificados como cristãos pela primeira vez, nasceu da perseguição em Jerusalém iniciada pela morte de Estevão. Esse homem foi um seguidor, um discípulo de Jesus. Ele tinha fé, boa reputação e poder como Jesus tinha. Ele estava lá para proclamar a verdade e fez isso igual a Jesus, como também foi perseguido e injustiçado igual a Jesus (At 7). Quando ele estava sendo morto, assim como Jesus, orou a Deus dizendo: “Senhor, não lhes imputes este pecado!” (v.60). Ao invés de se defender, de pedir ao Senhor que fizesse vingança contra aqueles que o apedrejavam, perdoou-os e orou por eles, assim como fez Jesus.

“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus.” (At 7.55,56)

            Na sua visão ele viu o Filho do Homem em pé! Aquiete seu coração hoje e permita que essa imagem o seduza! Viva nessa Terra o tempo todo com Jesus, na expectativa de que naquele dia o Cordeiro de Deus se levante do trono e lhe receba na glória.

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” (Jo 14.1-3)

Seguir Jesus é ir para onde ele foi, é trilhar um caminho após ele até chegarmos em casa. Ele estará lá para nos abrir a porta e nos apresentar diante do Pai. Esse é o último lugar que chegaremos e o início de uma nova realidade! Decida-se a ser um discípulo, um seguidor de Jesus, a viver para ele e em função de outros. Essa é a sua escolha e decisão hoje! Amém!

 

 

Transcrição e Edição: Luiz Roberto K. Cascaldi