Uso e abuso da língua

Atualizado: 8 de jul. de 2021


No livro de Apocalipse, lemos que havia sete igrejas na Ásia e que foram escritas cartas para cada uma delas especificamente. Cada mensagem era diferente da outra, pois cada igreja tem uma missão, um carisma, uma unção diferente. Nenhuma pessoa ou igreja é igual à outra. Porém, há uma exortação comum a todas elas. Ao final de cada carta, Jesus termina dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz à igreja!” Elas receberam recados diferentes, mas esse último foi igual para todas – inclusive para nossa igreja aqui em Jundiaí, na data de hoje!

Todos nós temos ouvidos, mas “quem tem ouvidos para ouvir”? Você está cheio de si mesmo, de suas próprias preocupações, só quer que Deus lhe abençoe? Então você não tem ouvidos para ouvir! Mas se você tem sede e fome de Deus e deseja algo mais dele, se você quer andar nessa Presença mesmo que na maioria das vezes não sinta nada, se você quer ouvir a voz de Deus e andar sentindo a eternidade próxima a você (não só na hora da sua morte, mas no dia a dia), então você tem ouvidos prontos para ouvir o que o Espírito Santo está dizendo à Igreja.

Todas as semanas, três horas por semana, nos reunimos como presbitério para orar e ouvir de Deus o que ele quer falar com a nossa congregação. O Senhor nos tem dado sua palavra semanalmente, não importando quem vá pregar na reunião seguinte. Então, se você tem ouvidos para ouvir, espero que esteja também guardando essas palavras em seu coração, pois não basta apenas ouvir uma “boa palavra” no domingo e depois esquecer no resto da semana, envolvido pelas suas distrações diárias. Tudo o que eu e você temos ouvido aqui é a Palavra do Senhor para esta igreja e ela não deve voltar vazia, mas continuar operando. É para entrar em nossa corrente sanguínea e efetuar mudanças em nós.

Se pudermos resumir tudo o que tem sido dito nos últimos tempos em uma única palavra, em uma palavra chave para esta congregação, é que Deus nos chamou para sermos uma Casa de Oração! Obviamente, ele chama todas as igrejas para orar, mas especificamente ele chamou a nossa congregação para ser uma igreja que ora. Não orar só alguns minutos no dia, mas que passa muitas horas orando. Não são todas as igrejas que têm reuniões de oração todos os dias de manhã e à tarde, que têm todos os meses, por muitos anos, uma Torre de Oração de 24 horas. Mas Deus nos chamou especificamente para isso.

E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. (Is 56.6,7)

Oração não é para ser um dever ou obrigação, não é para nos fazer sentir culpados se não participarmos desses períodos em conjunto, ou para irmos ‘obrigados’ porque alguém nos mandou. Não! Oração deve ser um prazer, um privilégio dado por Deus a nós. Orar é igual a ‘dar’, e a Palavra diz que “Deus ama ao que dá com alegria”. Ou seja, ele gosta de alegria e não de tristeza. Ele não gosta de pessoas que dão algo com ‘cara de mártir’: “Ah, eu sirvo a Deus porque a Bíblia me manda fazê-lo; é difícil, mas eu me esforço e sirvo a ele!” Não! Deus gosta de quem o serve com prazer, com alegria, considerando isso como o maior privilégio que existe.

O texto fala de uma promessa, de um presente que Deus dá a quem o ama: “os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar”. Eu confesso que às vezes não venho muito alegre para a nossa oração das 5h30, mas na maioria das vezes eu volto alegre por causa da oração de alguém, por causa da ação do Espírito Santo naquele lugar. É a melhor parte do meu dia, então, por que perder isso?

Assim, Deus nos chamou para ser uma igreja que ora bastante, que passa muitas horas, que persevera na prática da oração. Mesmo que às vezes não sintamos nada, continuemos orando. Um garimpeiro, por exemplo, pega muitos cascalhos por anos a fio, mas sempre tem fé que em algum momento achará uma pepita de ouro e, então, persevera. Ele não reclama, muda constantemente de lugar, às vezes perde tudo, come pó, peneira cascalho, mas continua sem parar, dizendo: “Uma hora eu acho ouro!” Ele não faz por obrigação, por tristeza, porque alguém mandou, mas o faz com alegria, com fé, porque ele tem a visão da pepita de ouro.

Um dia, Jesus vai entrar de uma forma mais forte, diferente nessas reuniões de oração e teremos uma experiência que nunca tivemos antes. Então, vale a pena aguentar horas e horas sem nada acontecer, porque um dia vamos achar, vamos receber. Isso se chama “garimpagem espiritual”; isso é se alegrar na casa de oração; esse é o nosso chamado como cristãos, como igreja.

Em Jeremias, capítulo 29, Deus nos dá uma “dica” do porquê, às vezes, demoramos para termos respostas; do porquê, às vezes, parece que ele não está falando nada: “Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei.” (v.12). Você pode e deve orar em sua casa, em seu trabalho, em qualquer lugar, em pensamento, a todo momento. Não há nada errado com isso. Mas Deus diz também “ireis”, ou seja, saia da sua casa e vá para um lugar onde tem outros irmãos orando e ore junto com eles. Isso porque, muitas vezes, a sua resposta de oração vem pela oração do outro ou, então, pela sua própria oração feita naquele lugar. Ali talvez você enxergue ou entenda coisas que não havia visto ou compreendido sozinho em sua casa.

Alguns oram mas não têm expectativa de nada: “Eu vou orar porque tenho de orar, porque dizem que é bom orar…” Não! Invocar a Deus é dizer: “Deus, cadê o Senhor? Eu estou aqui para ser ouvido! O Senhor vai curar Fulano ou não? Afinal, já estou orando por isso há muito tempo!” Invocar a Deus é clamar, gritar, suplicar! Tem gente que vai ao caixa do Banco, entrega o cheque e vai embora sem receber o dinheiro em troca. Como pode isso? Ir no caixa e dar o cheque é orar; receber o dinheiro é esperar até Deus responder! Não oramos só por orar, mas oramos para (e até) Deus responder!

Invocar a Deus é dizer: “Deus, eu sinto sua falta! Eu não me conformo em orar por enfermos e eles não serem curados! Quando o Senhor estava na Terra, curava a todos! O Senhor deu autoridade aos discípulos e eles também curavam! E nós oramos e nada acontece?? Como é isso?? O Senhor mudou? É outro Deus? Se é o mesmo, porque não temos essa mesma autoridade??” Invocar é clamar, é querer e esperar a resposta!

“Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.” (v.13). Têm pessoas que oram um pouco, olham no relógio e já querem ir embora! Isso não é orar de todo o coração. Mas ninguém vai conseguir orar de todo o coração se não começar orando com parte do coração. Comece orando mesmo com uma parte do seu coração, pois chegará uma hora em que todas as partes se ajuntarão e chegarão ao “todo”. “Ah, mas eu só consigo orar por 10 minutos!” Tudo bem, mas se você não começar com o que tem, se não exercitar, nunca vai chegar lá. Quem corre em maratonas, corre um pouco todos os dias, vai fortalecendo os músculos até aumentar o ritmo e o tempo. Lembre-se da promessa, do prêmio de Deus: “Se me buscar de todo o vosso coração, você vai me achar!” “E serei achado de vós, diz o Senhor…” (v.14). Você quer achar a Deus? Não há nada melhor na face da Terra do que isso. Se o buscarmos de todo o coração ele prometeu que será achado por nós.

Há uma palavra de Deus para essa igreja e você precisa ouvi-la. Nós estamos orando por avivamento, para a autoridade da Igreja voltar, para os irmãos imporem suas mãos sobre os doentes e eles serem curados na hora, para os olhos dos cegos se abrirem, paralíticos andarem, demônios serem expulsos, famílias serem salvas e restauradas. Não cremos que a igreja continuará anêmica ou que as nossas orações não encontrarão respostas. Não! Estamos orando para Deus dar autoridade para a igreja e isso vai acontecer. No entanto, ele diz que só vai fazer isso “se o buscarmos de todo o coração”.

Damos graças a Deus por muitas coisas que já estão acontecendo em nosso meio – mais batismos, mais presença de Deus nas reuniões, mais pessoas com sede do Senhor, mais pessoas orando. Mas tudo isso são apenas gotas, pois o que esperamos é uma grande chuva! Virá algo muito mais forte e poderoso; virá aquela unção semelhante à da igreja em Atos! A presença de Deus será tão forte que apenas a nossa presença nas ruas, nos ônibus, no trabalho, na escola vai curar, libertar, salvar pessoas.

Habacuque 2.14 diz: “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” Também, em Joel 2, lemos que o Espírito será derramado sobre toda a carne nos últimos dias – e nós estamos nesses últimos dias! É hora da Igreja do Senhor deixar de ser anêmica e começar a ter autoridade.

Por exemplo, ore para que os irmãos sejam libertos da dependência de remédios. Remédio é bom porque resolve um problema imediato, mas é terrível, porque causa outros problemas maiores. Então, vamos orar para sermos libertos desse vício. Quando Jesus cura, ele o faz completamente. Não devemos parar de tomar remédios antes de sermos curados, mas, depois disso, devemos parar, pois o remédio não terá mais efeito, pois já estaremos curados. Jesus disse a um enfermo após curá-lo: “Vai e mostra-te ao sacerdote.” Ele nunca mandou alguém deixar de tomar remédios ou ir aos médicos, mas mandava as pessoas irem aos sacerdotes, após serem curadas, para que aqueles confirmassem o fato. Isso porque quando ele cura é por completo. Todos os exames vão comprovar e os próprios médicos vão dizer que não precisamos mais dos remédios. Aleluia!

Precisamos entender que a autoridade da Igreja não é essa fraqueza que temos hoje, mas o que Deus tem para nós é o que ele disse na Bíblia que é para nós hoje! Esse é o propósito pelo qual estamos, como igreja, perseverando em oração. Sempre clame dessa forma: “Deus, venha o teu reino! Governa sobre o pecado, os vícios, as doenças! Seja feita a tua vontade aqui na Terra como é feita no céu!” Foi assim que o próprio Jesus nos ensinou e mandou orar (Mateus 6).

Parece até ridículo ficarmos dizendo palavras, palavras, mas isso é orar. Parece bobagem, afinal, às vezes não tem ninguém nos ouvindo. O próprio Deus é invisível. Então, será que adianta fazer isto?? Sim, adianta! E temos essa promessa de Deus em todos os livros da Bíblia. E por que orar adianta? Porque Deus criou o homem para falar palavras – e essas têm poder.

Esta semana, eu estava orando e questionando: “Deus, nós estamos orando sempre pelas mesmas coisas, pelas mesmas pessoas todos os dias e não acontece nada! Por que isso? Cadê a autoridade da Igreja? Cadê o poder e o efeito da oração?” Então eu senti uma palavra do Senhor para mim e para a igreja. Ele me falou acerca do poder das nossas palavras quando não estamos orando!

Exemplificando: Quando estamos orando, as nossas palavras têm um sinal de “+” (mais); quando não estamos orando, quando estamos falando com as pessoas, elas podem ter um sinal de “-“ (menos). Assim, tudo o que falamos durante a semana, se somarmos todos os “-“, eles podem desmancham todos os “+” que conseguimos acumular enquanto estávamos orando. Assim, o “saldo” ficou negativo. É por esse motivo que as nossas palavras têm muito poder!

Mas não são somente as palavras ditas pela língua, pela boca. Se Tiago escrevesse sua epístola hoje, ele não diria que apenas a língua é o maior problema do homem; ele diria que os dedos também são (teclados, redes sociais etc.). Isso porque o problema não é a língua em si, mas as palavras que saem de nós, sejam pela língua ou pelos dedos. Elas são poderosas e podem ter o sinal de “+” ou o sinal de “-“. Então, para perseverarmos em oração como igreja, para buscarmos a Deus de todo o coração e sermos achados por ele, precisamos diminuir esta carga negativa de palavras para que elas sejam mais fortes, mais poderosas, com autoridade e que sejam atendidas pelo Senhor.

Não pretendo, nessa mensagem, entrar em muitos detalhes nesse assunto, mas quero deixar alguns pontos que sinto que são os mais graves e que impedem que as nossas orações sejam mais fortes. Há um livreto muito antigo chamado “Uso e Abuso da Língua”, escrito por Derek Prince (Impacto Publicações, Americana/SP, 2014 (https://goo.gl/z62Pcu), que nos traz uma mensagem fortíssima sobre esse tema. Inclusive, a própria capa demonstra isso:

Como vemos, é uma língua de cobra no lugar da língua humana. Isso significa que as palavras que saem da nossa boca são, muitas vezes, perigosas e venenosas. O capítulo 3 de Tiago fala muito sobre isso. Tanto a língua quanto os dedos podem ser úteis, para abençoar, quanto inúteis, para amaldiçoar. As palavras que procedem do coração podem transmitir vida ou morte e atrapalham as nossas orações. Deus quer ouvir nossas orações, mas, muitas vezes, as palavras que falamos e escrevemos falam tão alto que ele não consegue nos ouvir e atender. Ele diz: “O que você está orando é muito bom, mas o que você fala e escreve fora do tempo de oração está me impedindo de te ajudar, de te responder!”

Nesse livreto, o autor fala de sete erros da língua, que vou apenas enumerar abaixo (recomendo a leitura completa do mesmo): 1. Falar demais; 2. Palavras vãs; 3. Fuxicos (fofocas); 4. Mentiras; 5. Bajulações; 6. Palavras precipitadas; e 7. Palavras negativas. Ele explica cada um desses pontos, fornecendo os textos bíblicos referentes e depois fala de sete remédios para curar essas doenças da língua. Vamos clamar ao Senhor para que ele nos livre desses venenos mortais! Sempre pecamos em um ou mais desses erros e dependemos da graça de Deus para curar nossas línguas e dedos!

Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. (Tg 3.2)

Todos estamos sempre tropeçando, errando em muitas coisas. Se não fosse assim, não precisaríamos perdoar “70 x 7” como Jesus nos orientou a fazer. Se você controla a sua língua para não cometer nenhum desses sete erros acima, então você é perfeito, já chegou lá, porque a língua é a parte mais rebelde do corpo. Lembrando que os dedos também, porque, às vezes, alguém escreve algo nas redes sociais, você não gosta e, imediatamente, já responde de forma precipitada. Ambas as palavras – ditas e digitadas – têm muito poder para abençoar ou para amaldiçoar. Essas palavras podem inviabilizar as nossas orações (que são palavras). Por isso temos de cuidar para todas elas cheguem na presença de Deus com poder, com autoridade.

…mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. (Tg 3.8,9)

Com a língua oramos, louvamos, cantamos ao Senhor, mas, com a mesma língua falamos mal das pessoas. Às vezes não falamos, mas desejamos o mal para alguém, dizendo: “Mas ele ou ela merece isso!” Tem gente que realmente faz por merecer o mal, que devia ser denunciado por alguém, mas esse não é o nosso papel. Nossa língua é para bendizer a Deus e não para amaldiçoar os homens – mesmo que mereçam.

Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim. (Tg 3.10)

Recordando, sinal de “+” é benção, sinal de “-“ é maldição. E isso sai da mesma boca! Alguém acaba de orar e logo reclama: “Mas que calor! Não chove! E esse governo? E esse tribunal?” Nós sempre estamos reclamando de alguma coisa. “Ah, mas eu estou dizendo a verdade!” Sim, pode ser, mas isso não interessa; o que interessa é que você está falando ou desejando o mal, reclamando, usando a língua como veneno.

Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce. (Tg 3.11,12)

Grave isso na sua mente e coração: Deus quer ouvir a sua oração, mas ela só tem poder quando você controla suas palavras! Mesmo que você fique calado, apenas ouvindo a oração do outro, sua presença traz poder se da sua fonte só sair água doce, e não amargosa. Você quer ter poder com Deus, quer prevalecer com ele assim como Jacó prevaleceu com o anjo? Então aprenda a viajar suas palavras faladas e escritas!

Muita gente (inclusive eu e você), enquanto ora, fala mal de outras pessoas: “Deus, tem misericórdia daquela igreja cheia de pastores corruptos que só ficam explorando o povo! Deus, tem misericórdia daquele irmão que faz tantas coisas que eu acho errado!” Um irmão (já falecido) chamado John Hyde, foi chamado de “apóstolo de oração”. Ele vivia na Índia e chorava dias e noites orando por pessoas e teve um impacto tremendo naquela nação. Às vezes, Deus nos chama para confessar pecados – não só os nossos, mas também os de outros. Foi o caso de Daniel que, em sua oração, não acusou os reis ou o povo, mas disse: “…pecamos e cometemos iniquidades, procedemos impiamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus preceitos e das tuas ordenanças.” (Dn 9.5). Ele nunca apontou o dedo para ninguém em suas orações, antes, confessava os pecados da nação sempre se incluindo, mesmo sem merecer.

John Hyde escreveu um livreto chamado “Pecados da Língua e do Mau uso do Humor”, do qual relato um pequeno trecho a seguir:

Aproximadamente nesta época em que a confissão dos pecados de outros estava se apossando do coração de John Hyde, ele aprendeu uma lição muito solene – o pecado de achar defeitos nos outros, mesmo ao orar por eles. Ele estava carregado certa vez com um peso de oração em favor de um determinado pastor hindu. Então ele se retirou para o seu quarto de oração, e meditando na frieza do pastor e da morte consequente que havia na sua igreja, começou a orar: “Ó Pai, tu sabes quão frio…”

Mas era como se um dedo fosse colocado nos seus lábios, de modo que não podia falar o que pretendera, e uma voz disse no seu ouvido: “Quem nele tocar, toca na menina do meu olho”.

Hyde clamou em angústia: “Perdoa-me, Pai, pois tenho sido um acusador dos irmãos diante de ti!” Ele reconheceu que na vista de Deus ele deveria contemplar tudo que é amável.

Entretanto, ele também queria contemplar tudo que é verdadeiro. Foi-lhe revelado que o “verdadeiro” deste versículo se limita para aquilo que é ao mesmo tempo amável e verdadeiro, que o pecado dos filhos de Deus é efêmero; o pecado não é a verdadeira natureza dos filhos de Deus. Pois devemos vê-los como estão em Cristo Jesus – “aperfeiçoados”, assim como estarão quando ele tiver completado a boa obra que iniciou neles.

Em Filipenses 4.8, Paulo diz: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Ou seja, devemos ocupar nossa mente de coisas boas e não más; positivas e não negativas. Por exemplo, reclamar do Brasil. Existe muitos países piores e sofrendo mais do que o nosso. Então vamos dar graças a Deus pelas bênçãos que temos aqui. Da mesma forma, vamos parar de falar mal ou colocar defeitos em outras igrejas e começar a procurar as suas virtudes, pois, com certeza, as encontraremos. Nós não fomos chamados para acusar os erros (Satanás, sim), mas somos servos de Deus, chamados para abençoar a todos!

Em sua oração, Hyde também entendeu que deveria falar a verdade com Deus sobre aquele pastor. Sim, era verdade que aquele irmão estava frio, estava errando; ele não deveria bajulá-lo ou encobrir seus erros diante do Senhor, mas também não deveria acusá-lo. Deus não olha para nós contemplando os nossos pecados, o que somos, fazemos e fizemos, pois, nesse caso, seríamos fulminados na mesma hora e mandados para o inferno. Ele não vê as nossas falhas, mas vê o que ele está fazendo em nós pelo poder do Espírito Santo; nos vê como santos e perfeitos por causa da obra consumada de Jesus na cruz. Deus não enfatiza os nossos pecados, não os coloca como “capa de jornal”. Ele pode, sim, nos falar, tratar, disciplinar, corrigir e, muitas vezes, usando pessoas para fazer tudo isso – mas isso não é achar defeito e, sim, corrigir com amor. Ora, se o próprio Deus faz isso conosco, não deveríamos fazer o mesmo com as outras pessoas? Foi o que Hyde fez:

Então John pediu ao Pai que lhe mostrasse tudo que merecesse louvor na vida daquele pastor. Ele foi lembrado de muita coisa pela qual podia agradecer a Deus de coração, e assim passou o seu tempo em louvor! Este foi o caminho para a vitória. O resultado? Logo depois ficou sabendo que o pastor recebeu na mesma época um grande reavivamento e estava pregando com fogo.

Ele achou e encontrou muitos motivos de louvor na vida daquele pastor e agradeceu ao Senhor por isso. Glória a Deus!

No livro de Atos, lemos que havia um grande avivamento sobre a Igreja. Eles tinham um imenso amor uns pelos outros, vendiam suas propriedades e bens e distribuíam entre os tinham necessidade. Havia muitas curas, milagres, presença e poder do Espírito Santo. E é exatamente isso que estamos orando para acontecer em nossa igreja, cidade e nação!

Quando o Espírito está presente o pecado não permanece, não subsiste em nosso meio. Avivamento não é entusiasmo, ânimo, mas a presença santa e poderosa de Deus. É uma presença que cura, liberta, salva, mas também mata! Como diz a Palavra, é o “eterno peso da glória de Deus” (2 Co 4.17). Não adianta Deus mandar sua glória se a igreja não tem alicerces para isso. É desta forma que ele agido conosco há muitos anos. Precisamos construir um alicerce forte para que, quando vier o peso da glória, não nos ‘quebremos’. Estaremos abertos à repreensão, teremos alianças fortes uns com os outros, não vamos nos orgulhar de nada, não vamos tirar vantagens do que Deus está fazendo, mas seremos humildes e quebrantados. Assim, o peso da glória poderá vir sem causar danos.

Então, se Deus está demorando para responder nossas orações é porque ele tem motivos para isso. No século passado ele derramou muito poder e muitas pessoas e igrejas não aguentaram, mas trincaram, quebraram. Elas entraram em pecados, em heresias e acabaram, pois não tinham alicerces. O avivamento que esperamos não é aquele que vai levantar grandes líderes, pregadores, evangelistas, pessoas que curam os outros. Será, sim, um avivamento que vai ungir e usar cada um de nós como Corpo. Não saberemos “quem fez, quem cura”, mas todo o povo de Deus será ungido para isso. Mas isso, obviamente, traz um grande peso, pois o mundo olha, fala, critica, publica… É algo perigoso e, por isso mesmo, precisamos de um alicerce sólido para suportarmos esta pressão, este peso de glória.

No início do século XX, aconteceu na Rua Azuza, Los Angeles, Califórnia/EUA, um grande derramamento do Espírito Santo. Antes não havia manifestações de curas, milagres, libertações etc., mas, a partir daquele avivamento, tudo isso voltou a acontecer na Igreja. Publicamos um livreto que conta essa história, disponível no site https://goo.gl/pfgggK.

A presença de Deus era tão forte naquele lugar, que o autor do livro disse que, quando ele estava a três quadras de distância de lá, pedia forças a Deus para prosseguir, pois já era impactado com o poder do Espírito Santo. Esse poder era algo físico, tocável, que se irradiava. Lemos, em Atos, que até a sombra de Pedro e o lenço de Paulo curavam. Isso acontece quando chegamos em um lugar onde as pessoas não sabem que somos cristãos e, mesmo assim, veem e sentem em nós o poder do Espírito Santo. Elas não veem em nós ganância, cobiça, reclamações, maldade, mas veem e sentem paz, alegria, fé, amor, sede e fome de Deus! Existem algumas poucas situações semelhantes já acontecendo em várias partes do mundo, mas o que nós oramos e desejamos é que esse grande avivamento venha e nos revista por completo da graça e do poder do Espírito de Deus.

Havia muitas palavras contrárias e ofensivas contra aqueles irmãos em Azuza. Igrejas os criticavam, jornais publicavam mentiras; mas essas igrejas e pessoas ou morreram ou também foram impactadas pelo Espírito. Hoje temos milhões de pessoas no mundo que são frutos desse pequeno grupo tomado pelo poder de Deus. Isso porque, quando Deus opera, o homem não consegue fazer nada! Porém, qual era a ordem de Deus a eles? O autor relata no livro:

O amor divino se manifestava maravilhosamente nestas reuniões. Não se permitia nem sequer uma palavra indelicada contra os inimigos ou outras igrejas. A mensagem era o amor de Deus. Era como se o primeiro amor da igreja primitiva houvesse retornado. O batismo – como recebíamos no princípio – não permitia que pensássemos, falássemos ou ouvíssemos o mal contra qualquer pessoa. O Espírito era muito sensível, como uma pomba delicada. A pomba não tem fel. Sabíamos imediatamente quando magoávamos o Espírito através de um pensamento ou de uma palavra. Parecíamos viver num mar de puro amor divino. O Senhor lutava por nós naqueles dias. Nós nos submetíamos ao seu julgamento, em todos os assuntos, nunca buscando defender nosso trabalho ou a nossa pessoa. Vivíamos em Sua maravilhosa e atual presença. E nada contrário ao Seu puro Espírito era permitido. O Espírito operava profundamente. Uma pessoa inquieta ou que falasse sem pensar era logo repreendida pelo Espírito. Estávamos em terra santa. A atmosfera era insuportável para os carnais.

Muitos que os criticavam não conseguiam permanecer naquele ambiente sem se arrependerem, serem cheios do Espírito e levarem esse mesmo fogo para suas cidades e países. A lição que precisamos aprender é: Quando o Espírito Santo está forte em nosso meio ele não permite que pensemos, falemos ou ouçamos mal de outras pessoas, pois ele é o Espírito do amor de Deus!

Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. (…) Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. (Ef 4.25,29)

Torpe significa “desonesto, vergonhoso, nojento, indecente, infame”. Só devemos falar e escrever palavras que abençoem as pessoas. Se não for assim, é melhor ficar calados. Fomos chamados para ministrar graça aos que nos ouvem. Você já recebeu e já deu graça a outra pessoa? É por meio das palavras que as pessoas são abençoadas, agraciadas, edificadas. Deus quer nos usar para sermos seus porta-vozes e recebemos dele a graça e a capacidade para isso.

E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. (Ef 4.30)

Vamos orar para que o Espírito Santo venha e vamos tomar cuidado para não entristecermos o Espírito Santo pelas nossas palavras. Que as palavras de “+” sejam muito mais fortes e poderosas do que as palavras de “-“ para que essa unção e poder aumentem em nossas vidas.

Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. (Ef 5.3,4)

Talvez você não faça essas coisas, mas talvez fale ou comente, talvez use a sua boca e mãos para divulgar coisas erradas que outras fazem.

Outro aspecto é sobre os “gracejos indecentes”. Deus gosta de humor, pois foi ele quem o criou. Sabemos que boas risadas curam muitas doenças. Pessoas que vivem sempre bravas ou tristes não são santas. O brasileiro é muito bom no humor, porém, existem piadas que afastam o Espírito Santo e machucam as pessoas. Alguns até levam na brincadeira, mas essas piadas se tornam dardos inflamados de Satanás que permanecem em suas mentes. Talvez você já tenha sido atingido por isso e talvez já tenha atingido a outros. Ora, se estamos querendo aprender a cultivar (e não afastar) a presença de Deus, a não entristecer o Espírito Santo, a fazer com que ele se sinta bem conosco, então precisamos evitar essas coisas.

Em seu livro “Relacionamentos de Aliança”, no capítulo 7: “Nada de Gracejos Indecentes”, Asher Intrater escreveu:

Os dardos inflamados do maligno são dirigidos a nós principalmente por meio de outras pessoas: “Como o louco que lança fogo, flechas, e morte, assim é o homem que engana a seu próximo, e diz: Fiz isso por brincadeira.” (Pv 26.18-19, RA)

O Diabo não fica atirando pessoalmente em você, mas, muitas vezes, usa a boca de outras pessoas para isso: amigos, familiares, irmãos da igreja, colegas de trabalho etc. Assim como você recebe graça, também recebe veneno quando alguém lhe ataca desta forma, mesmo que supostamente seja em forma de brincadeira.

A Bíblia nos ensina a usarmos o escudo da fé (Ef 6.16) para que, quando vierem esses dardos inflamados do maligno, possamos rejeitá-los, não aceitar essas palavras, não ficar pensando nelas, pois esse não é o pensamento de Deus a nosso respeito! Não podemos permitir que essas coisas amargurem e entristeçam o nosso coração. Da mesma forma, cuide para não ser usado pelo maligno e atirar essas mesmas flechas em outras pessoas. Asher continua:

As setas inflamadas vêm de outros seres humanos. Os dardos inflamados de um conhecido geralmente vêm por meio de brincadeiras. O que torna a maioria das brincadeiras engraçadas é que elas nos levam a rir dos defeitos ou da dor alheia. Nem sempre é assim, mas na maioria das vezes é. Uma risada pode significar um sentimento de alívio intenso a respeito de algo que poderia ter sido muito doloroso. Quando alguém assiste a uma cena de comédia pastelão em que o comediante escorrega, cai e faz de conta que está se machucando, todos acham muito engraçado. Por que não conseguimos deixar de rir quando alguém perto de nós escorrega e cai? Muitas vezes, a risada tem ligação com a dor de outra pessoa.

Todos que participam de ministério ou exercem posições que influenciam os sentimentos de muitas pessoas deveriam evitar todo tipo de gracejos indecentes (Efésios 5.4). Muitas vezes isso pode ser confundido com falta de senso de humor. Porém, há diferença entre bom humor e determinadas brincadeiras.

Ou seja, todo crente, todo membro de igreja que evangeliza, que leva o nome de Cristo a outros deve evitar essas coisas, caso contrário, as pessoas vão pensar: “Se ele é crente e fala essas coisas, então não quero ser crente!” E ele encerra dizendo:

Quando alguém faz um gracejo à custa de outra pessoa, todos podem rir e dizer: “Não leve a mal, estamos apenas brincando.” Além de ir embora ferida, a pessoa que foi alvo da brincadeira terá dificuldade de remover o pensamento negativo de sua mente.

Precisamos vigiar até nas risadas, no humor, nas brincadeiras. Devemos nos perguntar: “Isso está ferindo alguém? É às custas de alguém?”

Concluindo, estamos em um ano eleitoral e temos uma imensa responsabilidade de orar pela nossa nação, de sermos sacerdotes e trazer a benção de Deus para esse país. Portanto, devemos ter uma atitude santa, correta em relação ao governo e aos candidatos. Existe no ser humano um fascínio por coisas ruins, pois essas “dão Ibope”. Alguém pode ter feito coisas boas a vida inteira, mas, quando faz algo ruim, todos só se lembrarão e comentarão isso. Isso é um fascínio demoníaco!

Certo dia, eu estava pensando: “Deus, o Senhor olha para o planeta Terra, olha para esses dois mil anos de história da Igreja, vê tantas coisas ruins que a Igreja fez e faz até hoje usando o teu nome! O mundo fica escandalizado com a Igreja! O que Senhor pensa sobre isso?” No mesmo instante eu senti Deus me dizendo: “É… Mas tem muita coisa boa! Pense em quantas pessoas estão dando suas vidas por outras, quantas obras de justiça meu povo está fazendo… E serão essas obras que irão vestir a Noiva no último dia!” (Ap 19.8). Sim, é verdade que existem muitas coisas ruins que a Igreja faz em nome de Jesus, mas também têm muitas coisas boas; só depende do nosso jeito de olhar. Vamos parar de pensar no que é ruim, no que é de má fama e vamos praticar o que Paulo nos diz:

Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. (1 Tm 2.1-4)

Quem dominava a nação naquela época era o governador de Roma: um homem mau que, tempos depois, encaminhou a morte de Paulo. Ele não estava dizendo que os governantes eram (ou são) santos, bons ou dignos, mas que, independentemente disso, devemos orar por eles. Assim, como devemos orar pelo Brasil?

Primeiro: “Deus, tenha misericórdia de nós. Coloque alguém honesto, que queira o bem da nação, que irá governar com pulso, fazer a economia melhorar para ter menos miséria e mais recursos financeiros para que, assim, a Igreja tenha recursos para enviar muitos missionários a muitas partes da Terra!” Não sabemos o que vai acontecer, mas vamos orar assim, pois Deus pode pegar alguém que menos imaginamos e usar para isso. Afinal, ele usou Nabucodonosor, usou Ciro, usou pessoas muito más para fazer coisas muito boas. Portanto, não nos interessa saber dos defeitos dessas pessoas, mas interessa, sim, que Deus traga paz, justiça e prosperidade para o Brasil.

Segundo: “Senhor, me dirige como votar. Me ajude a ter responsabilidade, a entender a tua vontade, a não votar levianamente, a não ter espírito de facção, de partidarismo. Me ensine a ser cidadão do céu como morador na Terra, a ser uma pessoa que irá exercer influência para o bem deste país!”

É assim que devemos orar, é assim que devemos andar: com o temor de Deus! Que sejamos livres de todo espírito de justiça própria, de partidarismo e de “linchamentos”. Antigamente, nos EUA, quando achavam que alguém era do mal e que a polícia não faria nada, pegavam essa pessoa, a amarravam em uma viga de madeira, a enchiam de piche, ateavam fogo em seu corpo e a carregavam pela cidade. Isso chamava-se “linchamento”. Esse é o espírito de dizer: “Essa pessoa não presta, precisa ser tirada da Terra; vamos acabar com a moral dela!” O ser humano faz isso porque julga que, linchando o outro, se torna melhor do que ele e, fazendo isso, estará contribuindo para eliminar o mal. Mas isso é um engano, pois o Espírito de Deus não age assim. O que ele quer é que oremos pelas pessoas para que a perfeita vontade de Deus se cumpra em nós e na nossa nação.

É óbvio que não vamos agir desta mesma forma acima, mas podemos pichar pessoas com nossas palavras (boca e dedos, redes sociais), dizer que “nós somos os bons e aquelas pessoas são más”. Não! Isso não é da nossa alçada como cristãos. Nosso chamado é para abençoar, orar e buscar a vontade de Deus para o nosso país. Peça perdão ao Senhor caso você esteja fazendo isso e busque ser obediente ao que a Palavra de Deus nos ensina e exorta a ser e obedecer! Amém!

Transcrição e Edição: Luiz Roberto Cascaldi

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