Expressões ou atitudes do comportamento

Atualizado: 8 de jul. de 2021


Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas.

O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas. (2 Tm 2.1-7)

As duas cartas de Paulo a Timóteo revelam um pastoreio muito próximo de Paulo para com Timóteo. Não eram meras cartas a um amigo, mas a um verdadeiro filho – e ele o chama assim e trabalha com ele com esse cuidado paternal.

Paulo orientou Timóteo sobre muitos aspectos da sua vida pessoal e devocional, de como deveria se comportar diariamente, pois, afinal de contas, este fazia parte da Igreja, que é a coluna e baluarte da verdade. Assim, sua vida pessoal deveria expressar a verdade de Deus. Paulo também o instruiu quanto ao que ele deveria ensinar, aconselhar, pregar, relacionar com os irmãos etc. Tudo isso é coisa de pai para filho. Portanto, era um pastoreio muito próximo, chegado, íntimo, ligado, compromissado.

No capítulo 2 da segunda carta, Paulo deu algumas instruções a Timóteo que, creio de todo o meu coração, se as seguirmos a nossa vida mudará radicalmente. Ele se referiu a seis parâmetros ou atitudes que trataremos a seguir:

  1. Diligência

  2. Eficiência

  3. Sofrimento em parceria

  4. Concentração

  5. Disciplina

  6. Dedicação

1) Diligência – “fortifica-te na graça”.

Na carta de Paulo aos filipenses ele diz: “Tende em vós o mesmo sentimento que há em Cristo”. Esta palavra “sentimento” é “atitude”. Deus trabalha muito com nossas atitudes, pois, quando essas são mudadas, nossas vidas também mudam.

Fortificar-se na graça é diligência, é descobrir-se fraco e buscar a fonte, o remédio, a condição para ser fortalecido. A única forma de um discípulo ser forte é se compreendendo fraco para poder se refugiar na graça do Senhor.

Quando estou fraco, aí é que sou forte, pois o poder de Deus se aperfeiçoa na minha fraqueza. (2 Co 12.10).

As circunstâncias não nos fortalecem; somente a graça faz isso. O fato é que sem o Senhor não podemos fazer nada. Ninguém consegue ser santo, bom, puro, honesto etc. por si mesmo, sem o Senhor. Os problemas da vida servem para provar que por nós mesmos não conseguimos mudar. Muitas vezes eu digo aos irmãos: “Desista de tentar”. Pare de tentar ser santo e seja santo; pare de tentar ser bom e seja bom. Mas como você pode conseguir isto? Mergulhando na graça de Deus, pois, assim, as qualidades dele passam a ser suas também.

Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. (Tg 1.17).

Se há alguma coisa boa em mim, certamente não foi gerada por mim mesmo, mas pela presença de Deus em mim. Quando alguma bondade ou generosidade se manifesta em mim, não é por esforço próprio, mas porque Deus resolveu mostrar a sua natureza através de mim, pois somos participantes da natureza divina (2 Pd 1.4).

Andar na graça é desistir de “tentar” resolver as coisas por mim mesmo e dizer: “Deus, eu preciso do Senhor. Eu não consigo, eu não posso por mim mesmo.” Quando Paulo descobriu isso (Romanos 7), ele discorreu como era sua vida antes de Cristo e concluiu dizendo:

Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado. (Rm 7.24,25)

Você já chegou a esta mesma conclusão? Da mesma forma que eu preciso ter um encontro com Deus, também preciso ter um encontro com a monstruosidade que é a minha carnalidade, pois só assim conseguirei correr para Deus e experimentar o que Ele tem para mim.

Esta também foi a experiência de Isaías:

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo. (…) Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos! (Is 6.1,5)

Quem vê o Senhor descobre a sua realidade, o horror que há em si mesmo – e por isso busca depender unicamente da graça de Deus. Graça não é somente um “favor imerecido”, mas é o Espírito Santo trabalhando em nós e fazendo-nos ser tudo o que Deus deseja que sejamos.

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus. (Sl 46.10).

Vamos nos fortificar na graça, pois, quanto mais esvaziar-nos de nós mesmos, mais a graça de Deus vai operar em nós.

Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis. (Ez 36.26,27)

Eu estou convencido de que em todos os lugares das Escrituras que se refere à graça, refere-se ao próprio Espírito Santo. Graça não é escapar da lei ou virar as costas para a mesma, mas é quando esta lei está definitivamente escrita em nossos corações e a cumprimos não por medo do inferno, mas porque a amamos e ela é boa, perfeita, santa e agradável dentro de nós.

Oh! quanto amo a tua lei! ela é a minha meditação o dia todo. (Sl 119.97)

Deveríamos orar mais da seguinte forma: “Senhor, revela-nos mais da tua graça!” Às vezes ficamos tentando nos fortalecer com coisas externas, naturais: “Estou fraco agora, mas quando as circunstâncias mudarem ficarei forte. Estou doente agora, mas quando sarar ficarei mais forte. Estou mal agora, mas quando mudar de emprego e ganhar mais, ficarei bem.” Ora, nenhum recurso físico, psicológico ou natural pode nos fortalecer, mas somente a graça de Deus.

Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (Tg 4.6)

A primeira coisa que comprova que somos humildes é quando reconhecemos quem realmente somos. Quando achamos que somos alguma coisa isso é soberba, arrogância. Porém, quando dizemos como Davi: “Eu, na verdade, sou pobre e necessitado, mas o Senhor cuida de mim” (Sl 40.17), então somos fortes, pois reconhecemos o caminho da humildade. Com certeza, ninguém deseja que Deus lhe resista, que coloque obstáculos em sua vida.

Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. (2 Tm 1.7)

É interessante que Deus não diz que “nos dará”, mas que “tem nos dado”. Quantas vezes não aproveitamos o que Deus nos dá, simplesmente por desprezo ou desconhecimento? Às vezes o livramento já chegou, mas, por desconhecer isto, ficamos agarrados a muitas outras coisas.

A palavra “poder” é dunamis (dinamite), a mesma utilizada por Paulo em Romanos 1.16:

Porquanto não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê.

Deus nos deu do seu próprio amor (entrega, afeição, respeito) que transforma e muda a nossa vida, a nossa história. Ele também nos deu moderação, que é a estabilidade de mente, o autocontrole, o equilíbrio. É o Espírito quem nos controla à medida que lhe damos espaço.

A minha oração tem sido: “Senhor, me ajude a discernir diariamente os caminhos errados e decidir pelos caminhos certos.” Quando percebo que alguma reação ruim está começando dentro de mim, já peço ao Senhor que controle isso. Mas é a unicamente a graça de Deus que faz isso – e o nome disso é DILIGÊNCIA. Seja diligente, atento, alerta e procure cuidar da sua vida nos mínimos detalhes.

2) Eficiência – “transmite a homens fiéis”.

Muitas coisas que construímos na vida se perdem, porque não preparamos novas gerações para assumi-las. Às vezes entregamos essas coisas nas mãos de pessoas que, se não incapazes, são displicentes ou negligentes para cumpri-las.

Certamente todos conhecemos empresas que foram destruídas pelos filhos que as herdaram de seus pais. É por isso que Paulo diz que aquilo que recebemos de Deus, aquilo que Ele colocou como depósito em nós deve ser entregue, transmitido a pessoas fiéis e idôneas. Ora, Deus não nos dá uma coisa para que esta permaneça conosco; tudo o que Ele nos dá é para transmitir a outros. Não podemos ser como o Mar Morto que só recebe, que só retém as águas, pois tudo o que fica parado estraga, morre, cria toxinas que matam a vida. A própria Bíblia diz que a letra mata. Tudo o que recebemos deve ser passado à frente para pessoas fieis e idôneas capazes de transmitir a outros. Isto é discipulado!

Se você quer ser eficiente nesta vida, pregue e ensine a Palavra, edifique vidas, faça tudo com eficiência. Quando você chegar diante do Senhor e Ele lhe perguntar o que fez na vida, você não dirá: “Eu construí quatro casas, comprei cinco fazendas etc.” Como diz um provérbio popular, “caixão não tem gavetas”, ou seja, não levamos nada para a eternidade.

Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. (Lc 16.9)

As únicas coisas que subirão para a eternidade serão as pessoas que ganhamos para o Senhor. Obviamente, nossas orações também sobem, mas o objetivo das mesmas é nos tornar santos para servirmos o Senhor e, com isso, ajudarmos outros a fazerem o mesmo. Já imaginou você chegar ao céu e lá encontrar centenas e milhares de pessoas lhe aplaudindo, e você dirá: “Mas vocês me conhecem?” E elas dirão: “Não pessoalmente, mas você pregou para fulano, que pregou para ciclano e este para mim.” Que galardão maior podemos ter do que este, vidas na presença do Senhor?

Seja eficiente e não jogue sua vida fora, mas aplique-a em pessoas fiéis. Deposite o que Deus lhe deu em pessoas que vão passar adiante o que aprenderam de você. Watchman Nee disse que não basta ensinar, mas “ensinar a ensinar”, ou seja, tornar as pessoas a quem estamos ensinando aptas a também ensinar a outras. Afinal, não é isso que fazemos aos nossos filhos? Transferimos verdades a eles para que transmitam aos seus filhos após se casarem. Portanto, eficiência é fazer bem feito o que já sabemos que precisamos fazer.

E eu, irmãos, apliquei essas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. (1 Co 4.6)

Precisamos ser fieis ao que escutamos de Deus e não mudarmos uma vírgula sequer. Assim como recebemos, devemos repartir, transmitir. Precisamos ser fiéis para guardarmos aquilo que recebemos de forma intacta, sem defeito, sem modificações – e assim passar a outros. Receitas mudadas produzem resultados diferentes. Não podemos adulterar o evangelho que nos foi entregue, fazendo como Eva que acrescentou palavras ao mandamento de Deus: “Nem tocareis!” Nunca devemos ir além do que está escrito.

3) Sofrimento compartilhado – “participa dos meus sofrimentos”.

Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus… (2 Tm 1.8)

Isto vai totalmente contra a mentalidade atual. Primeiro, porque ninguém gosta de sofrer; segundo, porque ninguém gosta de sofrer os sofrimentos dos outros. Paulo, pelo contrário, está dizendo para Timóteo participar dos sofrimentos dele e dos outros.

Levais as cargas pesadas uns dos outros e, assim, estareis cumprindo a Lei de Cristo. (Gl 6.2)

O sofrimento faz parte da vida cristã. Infelizmente, vivemos num tempo onde fugimos de todo e qualquer sofrimento: não deixamos nossas crianças andar no sol ou de ônibus; se tiram notas mais baixas vamos reclamar com seus professores porque estão sendo “assediadas psicologicamente”; etc. Com tudo isso, esquecemos que o que nos fez e nos faz fortes é exatamente o sofrimento.

…no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo 16.33).

E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna. (Mt 19.29)

Às vezes achamos que por estarmos em Cristo isto é o suficiente. Mas o escritor de Hebreus disse acerca de Jesus:

Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. (Hb 5.8)

Ou seja, o caminho da obediência é o do sofrimento. Jesus disse:

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. (Mt 11.29).

Infelizmente, não há nada mais importante para nós do que fazermos as nossas próprias vontades. Se você quiser saber se uma pessoa é mansa e humilde basta contrariá-la. Se ela ao menos for educada, dirá que “há controvérsias”; se não for, vai criar o maior problema. Ninguém gosta de ser contrariado, corrigido, exortado, chamado à atenção. No entanto, a única forma que temos de crescer é o sofrimento, pois ele revela as nossas áreas deficientes, mostra as coisas que precisam ser trabalhadas. Que Deus nos ajude a passar pelos sofrimentos e aprender com eles.

Outra observação: na escola do Senhor, Ele nos dá o sofrimento de acordo com o tempo que nela estamos, ou seja, os níveis vão aumentando conforme o tempo.

Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós; (Gl 4.19)

Quando Cristo é formado em mim, o que eu sou precisa ser abandonado – e eliminar coisas de mim causa sofrimentos. Ainda que sejam ruins, me apego a elas. Alguns, com orgulho, dizem: “Eu nasci assim, eu cresci assim, minha família sempre foi assim e eu não vou mudar!” Isso deveria ser motivo de tristeza, de choro, e não de orgulho.

Sofrimento compartilhado não significa simplesmente contar os nossos problemas aos outros, mas compartilhar dos sofrimentos dos irmãos. Quando nos envolvemos com os sofrimentos alheios esquecemos dos nossos. Ao contrário, quanto mais olhamos para os nossos sofrimentos, maiores eles se tornam, mais terríveis parecem. Portanto, afaste-se do que lhe faz sofrer e aproxime-se do sofrimento alheio, pois assim você terá uma visão do real tamanho do seu próprio sofrimento. Não estou pregando uma terapia emocional ou psicológica, mas, se quisermos cumprir a lei de Cristo, precisamos nos envolver com os sofrimentos alheios.

Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (2 Tm 4.5)

Paulo faz uma lista de atitudes ou expressões ministeriais para Timóteo e entre eles coloca o sofrimento, pois para ele isso era algo normal. Alguns dizem: “Se você está sofrendo é porque está desobedecendo a Deus, porque está fora da vontade dele, porque pecou…” Mas não é assim, pois o sofrimento faz parte da nossa vida diária. A questão, sim, é como reagimos a ele!

4) Concentração – “não se envolver nos negócios dessa vida”.

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. (Mt 6.24)

Assim, pois, qualquer um de vocês que não renuncia a tudo o que tem não pode ser meu discípulo. (Lc 14.33)

Eu estou consciente de que andar nesta proposta de Paulo é muito complicado, porque estamos diariamente envolvidos com as coisas desta vida. Mas o que Jesus nos ensina é que não podemos servir a Deus e às riquezas, agradar a nós mesmos e a Deus. Ele não aceita ser dividido em nossos corações – e é desta forma que perceberemos se Ele está ou não contente, satisfeito conosco. É na alegria do Senhor que está a nossa força. Quando percebemos Deus alegre isso é uma recompensa para nós. Ficamos felizes quando fazemos algo para alguém e essa pessoa se realiza. Se olharmos para nós mesmos só encontraremos infelicidade, porém, se olharmos para Deus encontraremos apenas felicidade.

Devemos ter como se não tivéssemos, comprar como se não comprássemos, possuir sem ter domínio de nada, porque tudo é do Senhor. Quando comprarmos algo, diremos: “Deus, posso comprar? É isso mesmo? Senhor, como o Senhor quer que eu use isso? Eu não estou pregando uma vida de escravidão, mas uma necessidade de sermos mais inteligentes e perguntarmos a quem sabe mais – e antes – do que nós: Deus! Isto porque Ele conhece o que está à nossa frente, o dia de amanhã. Ele é presciente e sabe o resultado de tudo o que ainda faremos. Portanto, não vamos comprar algo que irá nos possuir, mas que iremos possuir e utilizar para o Senhor.

Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. (2 Pd 2.20)

Pessoas que se livraram das correntes do mundo e depois se envolveram com ele de novo fazem com que seu estado se torne pior do que antes. Por isto precisamos de concentração no que Deus quer, ou seja, ter foco.

Sempre no início de cada novo ano não devemos fazer muitos planos para o mesmo. Façamos apenas um ou dois e vamos persegui-los até os alcançarmos, sem desistir. Ao orarmos, vamos pedir por poucas coisas e insistir nelas até recebermos a resposta do Senhor. Isso é foco. Se o seu problema é falta de leitura da Bíblia, ou de oração, ou de santidade dedique-se a isto.

A Palavra diz que quando Deus colocou o seu povo na terra Ele não tirou os inimigos de uma só vez, mas tirou uma ou duas nações por ano para que as feras do campo não se multiplicassem contra o povo; para que o povo fosse tomando posse da terra pouco a pouco. Ele trabalha nas nossas vidas da mesma forma: passo a passo, preceito sobre preceito, meta sobre meta. Por isso precisamos ser concentrados! É por isso que Pedro disse que não podemos “se deixar enredar de novo” com as coisas das quais o Senhor já nos livrou.

5) Disciplina – “lutar segundo as normas”.

Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado. (1 Co 9.25-27)

Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido. Ele morrerá pela falta de disciplina, e, pela sua muita loucura, perdido, cambaleia. (Pv 5.22)

Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido. (Pv 12.1)

Tudo nesta vida tem normas, protocolos, regras. Existe um órgão nacional chamado ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que regulamenta todos os procedimentos técnicos. A vida cristã também tem seus protocolos: se você viver desta forma vai acontecer isto; se viver desta outra forma vai acontecer aquilo. Para tudo há protocolos: dirigir, estudar, casar, trabalhar, viver na igreja etc. No entanto, tudo o que não queremos e gostamos é seguir protocolos, pois julgamos que eles irão nos prender. Mas é justamente o contrário, pois eles nos dão segurança e, portanto, temos de aprender a lutar segundo as normas.

Não que eu já tenha recebido isso ou já tenha obtido a perfeição, mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Fp 2.12-14)

Quais são as normas para um filho de Deus, para um discípulo? Ele não pode lutar de forma diferente das mesmas. Isso é disciplina, isso é o que Deus quer de nós. Por que um atleta se domina e evita determinadas coisas e comportamentos? Justamente porque é um atleta! Se ele não se dominar deixará de ser atleta e não alcançará seus prêmios.

Você se domina e rejeita coisas na exata medida do valor que dá ao prêmio a ser alcançado. O que pode fazê-lo renunciar a tudo e se aplicar com foco e determinação a um objetivo? Se o prêmio for muito valioso! E o texto acima diz que o prêmio que nos espera é a “soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Será que este prêmio vale a pena? Se sim, ande em disciplina, siga os protocolos, ande nas normas do reino de Deus!

6) Dedicação – “lavrador que trabalha”.

Não sei se existe algum trabalho que exija mais dedicação do que o do lavrador. Ele tem de derrubar o mato, fazer as covas, plantar, limpar, carpir, regar, cuidar, por adubo, dar atenção todos os dias. Mas, ao final, ele recebe a recompensa do seu trabalho.

Dedicação pode também ser traduzido como consagração:

Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. (Rm 12.1,2)

Vejam que grande amor o Pai nos tem concedido, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Amados, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E todo o que tem essa esperança nele purifica a si mesmo, assim como ele é puro. (1 Jo 1.1-3)

Nós fomos chamados para servirmos a Deus, para nos consagrarmos a Ele e, portanto, devemos nos dedicar a isso, a termos uma vida de filhos amados e obedientes ao Pai, dedicados de coração àquilo para o qual fomos chamados.

Mas sede fortes, e não desfaleçam as vossas mãos, porque a vossa obra terá recompensa. (2 Cr 15.7)

Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. (Cl 3.23-25)

A nossa dedicação sempre valerá a pena! Não seja um crente desleixado, displicente, negligente, procrastinador. Faça sempre o que for preciso – e na hora certa. Isso é dedicação, aplicação, consagração e a hora para isso é hoje, agora. Isto é coração 100% voltado para o Senhor; coração integral para Ele. Este é o nosso chamado e vocação.

7) Resultado de tudo isso – “a paz de Deus, a recompensa”.

O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. (2 Tm 2.6)

Se cumprirmos com os seis pontos acima desfrutaremos das recompensas do reino dos céus. Este é um direito de quem cuida da horta, das ovelhas, das pessoas. Deus diz que tudo o que fazemos para Ele tem recompensa, tem galardão.

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão. (1 Co 15.58)

E quem der de beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade lhes digo que de modo nenhum perderá a sua recompensa. (Mt 10.42)

Deus não fica devendo nada para ninguém! Nós não trabalhamos para Ele visando pagamento, lucro, recompensa, mas Ele sempre faz questão de nos pagar, recompensar, porque Ele “é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Este é o caráter dele: abençoador, recompensador, presenteador.

Cada vez que oramos por uma situação qualquer os primeiros beneficiados somos nós mesmos, pois Deus estará ao nosso lado ouvindo, falando, respondendo nossas orações. Sua presença se fará sentir e, assim, seremos fortalecidos e abençoados. A oração e a leitura da Bíblia edificam e fortalecem primeiramente aos que oram e leem, ou seja, sempre seremos os primeiros a receber os benefícios da nossa dedicação.

Outro resultado que teremos é a compreensão de todas as coisas. A nossa mente se abre e passamos a entender e receber a mente e o coração de Deus. Ora, não é exatamente isso que queremos e buscamos?

Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. (1 Co 2.16)

Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração. (Jr 29.13)

Esta é a promessa do Senhor para todos aqueles que O buscarem. Se você for diligente, eficiente, dedicado, concentrado, disciplinado, consagrado, disposto a sofrer, você será o primeiro beneficiado. Deus não “fica mais Deus” com tudo o que você fizer, mas Ele recompensa aqueles que O servem, que O buscam.

Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. (Gl 6.7-9)

Os que semeiam em lágrimas, com cânticos de júbilo segarão. Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos. (Sl 126.5,6)  

Quanto mais plantarmos, mais colheremos. Esta é a lei, esta é a “norma técnica” do céu. Que este seja o contínuo desejo e oração dos nossos corações. Amém!

(Transcrição e Edição: Luiz Roberto Cascaldi) 

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