Repartir o pão

Atualizado: 8 de jul. de 2021

Paulo Manzini


Vamos continuar falando sobre a palavra que Deus tem estabelecido e direcionado para tratarmos com a igreja, que são as 4 colunas citadas em Atos 2.42: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”. Recentemente, Jamê Nobre disse que para que haja pão é necessário que o trigo seja moído, e nós estamos nesse processo. O objetivo é que realmente sejamos uma massa bem misturada, bem cheia de nutrientes, para que não só a igreja alimente a si mesma, mas que o mundo também se alimente dela.

A ordem de Deus para o Seu povo é que cada um seja devidamente alimentado pela vida de Jesus Cristo. Tudo o que nós fazemos – louvor, adoração, oração, jejum, reuniões em grupos grandes ou pequenos etc. – só tem um objetivo: fazer com que a vida de Jesus Cristo encha a igreja e, fazendo isso, Ele seja glorificado e o mundo veja Jesus em nós. É algo muito simples de entender: fomos chamados por Deus para sermos ‘alimento’ para o mundo.

Estamos saindo de um tempo onde a igreja se vangloriava pelos grandes ministérios que ela tinha, mas isso mudou. Essa época de “homens especiais” que trazem a presença de Deus e alimentam a igreja está acabando. Esses ministérios que Deus levantou na igreja continuarão existindo porque são importantes como referências, guias, condutores de processos e mudanças etc., mas o propósito e vontade de Deus para Sua igreja inclui VOCÊ, e não apenas homens e mulheres “especiais”.

Há muitos anos Deus nos deu uma palavra: “Chegou o tempo dos ninguéns!” Ou seja, não precisa ser uma pessoa famosa, influente, erudita, profunda conhecedora da Palavra; só precisa ser alguém que conheça a Jesus, conheça a Palavra e tenha o Espírito Santo. Essa pessoa será poderosamente usada pelo Senhor. Deus quer que cada membro do Corpo cumpra a sua função, nem mais e nem menos!

Atualmente eu tenho visto que Deus tem distribuído dons especiais sobre muitas pessoas. Percebemos que alguns irmãos, quando se levantam, têm um manto sobre eles. Cada um de nós está incumbido por Deus dos carismas que Ele nos dá. Não podemos ir além desses carismas, mas também não podemos ficar aquém, pois isso é relaxo, pecado: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!” (Jr 48.10). Fazer a obra do Senhor relaxadamente é não cumprir com o propósito Dele, não exercer os dons que Ele nos dá; é tornar vil aquilo que é santo.

Em Gênesis 4, lemos que Caim matou seu irmão Abel por inveja. Então o Senhor lhe perguntou: “Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” (v.10). Não está escrito, mas com certeza a resposta de Deus foi “SIM!” Nós somos parte do Corpo e, consequentemente, somos guardadores dos nossos irmãos. Eu não sei quem está incumbido de me guardar, mas eu sei a quem estou incumbido de guardar! E você, sabe? De repente, Deus pode chegar a você e perguntar: “Onde está aquele seu irmão?” Será que a sua resposta será a mesma de Caim? Entenda isso: quando deixamos de cuidar uns dos outros é porque a nossa comunhão com Deus está fraca, é porque existe alguma coisa errada no nosso relacionamento com o Pai.

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10.24,25)

Temos proclamado unanimemente que a volta do Senhor está próxima. Já entramos no período em que os dias estão sendo contados regressivamente de forma muito rápida e insistente. Haverá muitas lutas, gigantes ressuscitando para nos destruir. Passaremos por momentos em que não enxergaremos corretamente, mas a Palavra nos estimula a “considerarmos uns aos outros”. A igreja é o lugar onde nos alimentamos de Jesus através dos irmãos, dos relacionamentos.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.” (1 Co 13.13)

Nós temos fé na obra de Jesus Cristo – essa é a nossa luz, a nossa âncora, a nossa segurança. Também temos esperança na sua breve volta. No entanto, o texto diz que o maior destes é o amor, pois, através do amor, do interesse, das ligações, dos afetos a igreja é edificada. O amor que está em nós é a coisa mais importante que existe na igreja, pois é por ele que alimentamos e suprimos uns aos outros. O amor é a seiva, o sangue de Jesus fluindo – e isso fala de comunhão.

Um fato muito interessante é que as células do nosso corpo natural se alimentam por “diferença de densidade”. Quando o sangue passa e encontra uma célula que não tem determinado nutriente, por essa diferença de densidade o nutriente presente no sangue entra naquela célula e a supre. Alguns irmãos têm determinados “nutrientes” que eu não tenho e, quando eles encostam em mim, me suprem com os mesmos. Isso se dá por meio dos relacionamentos, da comunhão, dos encontros e conversas pessoais, das ligações. As porções da multiforme graça do Senhor que estão em mim e em você são assimiladas em nossas relações. Isso é uma imensa responsabilidade, pois têm coisas no irmão que eu não tenho, e vice-versa.

Quando nascemos de novo recebemos um chamado, uma vocação comum: sermos discípulos de Jesus. Nesse ponto não existe alguém maior, menor, sábio, ignorante, novo, velho etc. Mas por que ou para que somos discípulos? Para sermos iguais ao nosso discipulador: Jesus. Esse é o novo principal chamado, desafio, vocação: nos tornarmos cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus.

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Co 3.18)

Quando contemplamos o Senhor, o Espírito Santo nos transforma à imagem de Jesus. Assim, todo aquele que se converte recebe logo de início um chamado (ser discípulo) e dois dons. O primeiro é o dom de evangelista, para fazermos outros discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Isso não implica em conhecimento da Palavra, oratória, sabedoria, mas em testemunhar, contar a outros o que Jesus fez em nossas vidas. O segundo é o dom pastoral, para cuidar daqueles que Deus coloca à nossa volta: “Exortai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente” (1 Ts 5.11).

Acabou o tempo em que falávamos ao nosso vizinho: “Vamos à igreja para meu pastor orar por você!” Hoje todos nós temos a graça e o chamado de podermos contar a eles o que Deus fez em nossas vidas, e também podemos exortar e edificar uns aos outros. Você é o evangelista e o pastor daqueles que estão à sua volta!

O que é exortar? É profetizar, falar algo para alguém pelo Espírito de Deus. Todos podemos, devemos e somos autorizados por Deus para fazer isso. Exortar não é dar conselhos “melosos” aos outros: “Tenha fé”; “Deus vai te abençoar”; “Confie”. Isso é bom, mas exortar é muito mais. Exortar é uma profecia com fundamento na Palavra, na comunicação entre Deus e os homens.

Deus explicou a Moisés como seria Sua comunicação com o povo de Israel:

“Porás o propiciatório em cima da arca; e dentro dela porás o Testemunho, que eu te darei. Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.” (Êx 25.21,22)

A Arca, para nós, simboliza a Palavra. Quando estamos lendo e orando, o Espírito Santo (simbolizado pelos querubins) fala conosco. Mas Ele também pode falar ou profetizar para nós sobre outros irmãos por quem estamos orando e, quando entregamos a eles essa palavra, estamos dando-lhes uma exortação. Não o fazemos por mensagem eletrônica, por whatsapp, mas pessoalmente! Isso é pastorear um ao outro, é dar de comer ao faminto. Há muitos irmãos em nosso meio precisando ser libertos, curados, supridos – e somos nós quem o fazemos, por meio de uma palavra do Senhor.

Harold Walker disse que, muitas vezes, nossa mente fica presa, amarrada a muitas coisas. Mas, quando a Palavra de Deus vem, a mente se liberta e passamos a adorar e reconhecer o Senhor em meio ao caos, à bagunça – Ele muda toda a situação. Da mesma forma, quando exortamos um irmão com a palavra que veio a nós da parte do Senhor, essa exortação é uma profecia que irá libertá-lo. Isso é pastoreamento.

Todos recebemos a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus (Ef 6.17). Essa Palavra não é apenas uma arma de ataque, mas também uma arma que corta os espinhos que prendem, que amarram os nossos irmãos.

“Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos. Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.” (Mt 18.12-15)

Jesus fala aqui de um homem que deixa o seu rebanho e sai em busca de uma única ovelha que estava perdida ou enredada. Interessante é que, na sequência da parábola, ele fala: “Se teu irmão pecar contra ti”. Não é só o Senhor quem sai em busca da ovelha. Todos nós, com a espada do Espírito, a Palavra de Deus, devemos procurar os irmãos que estão “enroscados”, extraviados e falar-lhes com exortação, com amor para salvá-lo daquela situação. Aquele irmão que Deus colocou sobre sua responsabilidade é a ovelha que está enroscada em meio aos espinhos e você, que está ouvindo de Deus, com a espada do Espírito, irá desenroscá-lo e trazê-lo de volta ao Senhor.

Deus nos deu essa maravilhosa e poderosa incumbência: salvar uns aos outros dos espinhos da vida, das confusões mentais, das situações más e difíceis. Podemos e devemos, com a espada do Espírito, cortar tudo o que prende ou enrosca as mentes dos irmãos e levar a eles a solução de Deus.

“Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.” (1 Co 14.3)

Cada um de nós, que nascemos de novo, somos profetas e pastores de Deus para nossos irmãos. Cada um de nós é um defensor de Deus para eles, munidos com a espada do Espírito que corta seus espinhos e os liberta. Não é somente um grupo especial de homens que faz isso. Esses estão tão ocupados com tantas coisas que as ovelhas que deles dependem estão morrendo presas nos espinhos, devoradas pelos lobos. Somos nós quem devemos procurá-las e libertá-las, pois Deus nos chamou para sermos evangelistas e pastores na Sua Casa! Amém!

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