Como Tomar A Ceia Do Senhor

Atualizado: 8 de jul. de 2021


A tendência em todo relacionamento de longo prazo é a familiaridade, que gera desvalorização e até desrespeito. Quando ficamos muito tempo juntos, perdemos o senso de admiração. Isso acontece entre marido e esposa, pais e filhos e entre amigos de longa data. Mas pode acontecer também em relação ao próprio Senhor Jesus e às suas ordenanças deixadas para nós.

Evitando os extremos

Somos tentados pelo inimigo a sempre enfatizar os extremos. A maioria dos cristãos foi ensinada que antes de tomar a ceia temos que nos examinar para ver se estamos ou não em pecado. Alguns têm o costume de um pouco antes de tomar dos elementos procurar pessoas para pedir perdão e, assim, se sentirem dignos de participar da ceia. A Bíblia não nos ensina a fazer isso, mas nos ensina a examinar se estamos na fé. Na verdade, ninguém merece e nunca vai merecer a ceia. Ela é impagável. Se Deus nos tivesse dado a ceia com restrições, nunca teríamos condições de participar da mesma. Somos convidados por Ele a vir e comer do pão da vida e beber da água da vida sem dinheiro e sem preço. Não estou dizendo que o cristão não deve se preocupar com pecado em sua vida. Mas a hora de se preocupar com isso não é na hora da ceia, mas assim que descobrir que pecou. A Bíblia nos ordena a andar na luz, confessar nossos pecados, e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado (1 João 1.7). O acerto de pecado não é para ser feito uma vez por mês, mas diariamente. Não é à toa que Jesus nos mandou perdoar uns aos outros setenta vezes sete por dia (Mateus 18.22), pois ele sabia que sempre teríamos que praticar o perdão. E ele, por sua vez, também nos perdoa sempre.

No Velho Testamento, as pessoas sacrificavam animais e lembravam-se de seus pecados. Depois, sentiam-se livres porque o sangue daquele animal fora derramado e cobrira seu pecado.  Mas, assim que pecavam novamente, tinham que trazer outro animal e todo o ritual era repetido. A Velha Aliança era bem deprimente. Há uma passagem que é sempre lida na hora da ceia: “Fazei isso em memória de mim” (1 Coríntios 11.24). Jesus disse para tomar a ceia não em memória de pecados, mas em memória dele. Portanto, a ceia é em memória de Cristo porque ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Na hora da ceia, eu me lembro daquele que tira os meus pecados e os do mundo inteiro por meio de seu sacrifício feito uma vez por todas (Hebreus 7.27).

Três tipos de Ceia

Existem várias maneiras de tomar a ceia:

  1. A ceia legalista, que enfatiza pecado e que desonra Jesus, pois não temos condições de nos limpar a nós mesmos.  Agimos como se o sacrifício de Cristo não fosse suficiente e tivéssemos de acrescentar algo a ele.

  2. A ceia da libertinagem, que nos leva a tomá-la de forma despreocupada e descompromissada. Agimos com hipocrisia e ficamos tranquilos porque somos salvos pela graça, batizados e “a caminho do céu”. Durante a semana eu “curto” a vida, frequento as reuniões nos finais de semana e tomo a ceia uma vez por mês e, então, “está tudo bem, tudo certo”. Esses são dois extremos, mas existe ainda uma terceira maneira:

  3. A ceia religiosa. “Deve haver algo mágico nos elementos da ceia que vão me tornar uma pessoa melhor”. Tomo a ceia para que meus sacerdotes (os pastores) e toda igreja pensem que estou “bem na fita”, mesmo que “apronte” em casa e no trabalho. Ou seja, tomo a ceia por aparência ou por religiosidade.

A ceia de Jesus

Nenhuma dessas três maneiras era o que Jesus tinha em mente para nós a respeito da ceia. Vejamos o que a Palavra nos ensina sobre o assunto:

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum. Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? (João 6.51-60)

“À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.” (João 6.66-69)

Temos aqui um discurso escandaloso que Jesus não se preocupou em explicar. Disse que quem não comesse de sua carne e bebesse de seu sangue não teria vida. Jesus estava na terra e a vida do Pai estava nele. Então, ele vivia por meio do Pai. Logo, quem comesse dele também viveria por ele. Alguns dizem que “você é o que você come”. Certamente, Jesus concordaria com essa afirmação. Se você comer de Jesus, vai manifestar Jesus. Do contrário, por mais esforçado que seja, vai manifestar você mesmo. Mas, se comer e beber de Jesus, será iniciado um processo pelo qual a vida de Jesus vai aparecer cada vez mais em você para os que estão ao seu redor. Que passagem chocante e difícil de entender! O povo deve ter pensado: “Jesus, agora o Senhor ‘pirou’ de verdade”. E, assim, muitos deixaram de segui-lo. Os discípulos que sobraram também não entenderam nada das palavras de Jesus, mas sentiram que havia vida nele (pois só ele tinha palavras de vida eterna) e resolveram ficar. Certamente, não pensaram que iriam comer a carne e o beber o sangue de Jesus literalmente, mas, por lealdade, ficaram com ele, mesmo que suas palavras não fizessem sentido algum.

“E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus.” (Lucas 22.14-16)

Observem atentamente em que tipo de ambiente a ceia surgiu. Jesus estava presente na primeira ceia, mas depois que ressuscitou e subiu aos céus nunca mais esteve presente fisicamente na mesma. Disse que desejara ardentemente tomar aquela ceia com eles, pois não a comeria mais até que ela se cumprisse no reino de Deus. O cumprimento no reino de Deus é futuro. Portanto, temos nessa passagem a primeira ceia e a esperança da última ceia na segunda vinda de Jesus. Certamente, na eternidade não vamos celebrar a ceia dessa forma, pois estaremos eternamente casados com Jesus e não necessitaremos mais de pão e vinho para lembrar sua morte. Os elementos do pão e do vinho são algo intermediário entre a primeira e a última ceia. Jesus não celebrou a primeira ceia de forma mágica, nem religiosa, nem formal. Ele não disse: “Pessoal, meu Pai mandou que eu iniciasse uma igreja que sempre se lembrasse de mim com um pedacinho de pão e um pouquinho de vinho. Estou agora instituindo um sagrado sacramento que vocês devem perpetuar exatamente como estou fazendo agora”. Não, longe disso. O cenário da primeira ceia foi a Páscoa, que fora ordenada por Deus milhares de anos antes.

Jesus, como judeu fiel, celebrava a Páscoa todos os anos. Ela era celebrada com um cordeiro para lembrar a saída do Egito quando todas as famílias de Israel passaram sangue de cordeiro nos umbrais das portas das suas casas para proteger da morte seus primogênitos. E até hoje os judeus celebram a Páscoa em memória desse acontecimento. No entanto, os cristãos não a celebram mais assim. Nós sabemos que Jesus é o cumprimento da Páscoa, que estava presente na primeira ceia. Jesus é o próprio Cordeiro de Deus, não em figura, mas em realidade. Jesus cumpriu a figura de todos os cordeiros que foram sacrificados até aquela noite da última páscoa. Por isso, Jesus é a última Páscoa e a última ceia.  Jesus disse que desejara ardentemente comer a última Páscoa e primeira ceia com os discípulos. Ou seja, a ceia foi o momento de celebrar a amizade, o afeto e a despedida de Jesus daqueles que ele tanto amou.  João 13.1 diz que Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Jesus não é um Salvador mecânico e impessoal. Ele veio para a terra e fez amizade com doze homens. Um deles o traiu, mas os outros perseveraram e por causa de sua perseverança fomos alcançados. Durante três anos e meio, ele cultivou amizade com esses homens, exortando-os, repreendendo-os, ensinando-os e discipulando-os, passando juntos por tempestades e provações, bênçãos e alegrias. Depois de tudo isso, ele desejou ardentemente aquele momento para celebrar tudo que acontecera entre eles. Também, desejara despedir-se deles antes de ir para a cruz. Foi como se ele lhes dissesse: “Quero que tenham algo sólido para relembrar nossa amizade e para ligar vocês comigo até que eu volte e possa cumprir isso no reino de meu Pai”.

Resolução do enigma de João 6

Recebendo um cálice, ele deu graças e disse: “Tomem isto e partilhem uns com os outros. Pois eu lhes digo que não beberei outra vez do fruto da videira até que venha o Reino de Deus”. Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês.” (Lucas 22.17-20)

O enigma de João 6 está resolvido aqui. Antes de morrer, ele falou “comam o pão, esse é meu corpo” e “bebam o cálice, esse é meu sangue derramado em favor de vocês”. Durante uma guerra com os filisteus, Davi expressou um profundo desejo de beber água do poço de Belém. Mas não era sua intenção que alguém fosse lá para ser morto. Isso seria loucura! Mas seus valentes o amavam tanto que, sem que Davi soubesse, passaram pelas fileiras inimigas, tiraram água do poço e levaram para Davi. Quando viu aquilo, Davi ficou assustado: “Longe de mim, beber o sangue de homens que arriscaram suas vidas por mim. Eu não mereço isso”. Davi pegou a água e derramou-a no chão, para surpresa de seus valentes (2 Samuel 23.15-17).  Essa história nos ajuda a compreender que Jesus não estava dizendo que os discípulos comeriam sua carne e beberiam seu sangue de forma literal. Existe uma tradição na velha aliança do povo judeu como também entre povos do Oriente Médio, entre os índios norte-americanos, as tribos da África (e até entre macumbeiros) de que nada é “firme” se não houver sangue no meio. Se houver juramento de sangue, você não pode quebrar sua palavra e voltar atrás, pois sofrerá sérias consequências. Haverá vingança da aliança de sangue.

Cortando uma aliança de sangue

Meu desejo é que Deus abra nossos olhos para entender a seriedade de tomar a ceia, pois ela é o cumprimento da verdadeira aliança de sangue feita em Jesus Cristo. Em Gênesis 15.1-8, Deus aparece a Abraão, que O interroga sobre o herdeiro prometido a ele, já que o único herdeiro que tinha era um escravo nascido em sua casa. “De jeito nenhum, Abraão, seu herdeiro será nascido de tuas entranhas. E tua descendência será tão numerosa como as estrelas do céu e eles vão morar na terra que lhe prometi” – promete Deus a ele. Então, Abraão coloca Deus “na parede”: “Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la?” (v.8) Ou seja, Deus já lhe havia prometido isso várias vezes, mas tantos anos haviam se passado e nada! Ele e sua esposa Sara estavam ficando velhos. Qual a garantia de que tudo aquilo iria acontecer? Então, o Deus Criador do universo veio conversar com Abraão, o “pai de todos os que creem”, e essa conversa muito nos interessa. A Bíblia diz que todo aquele que é batizado em Cristo é filho de Abraão. E qual foi a resposta do Criador do universo para um simples homem na face da terra?

“E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas às aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caíram sobre ele. E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: « tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates” (Gênesis 15.8-12; 17,18)

Abraão partiu todos os animais, menos as aves. Naquela época, isso se chamava “cortar uma aliança”. Se fosse uma aliança de sangue era assim que deveria ser feito. Cada metade dos animais cortados deveria ser colocada em frente à outra numa fileira formando, assim, um corredor simples entre os pedaços. A carne dos animais era cortada e o sangue era derramado na terra. Precisamos perceber as implicações disso. Se uma das partes não cumprisse o acordo, aconteceria com ele o mesmo que acontecera com aqueles animais. O negócio não era brincadeira. Não havia cartório nem necessidade de “reconhecer firma” para verificar se a assinatura era semelhante à do cartório. O que havia eram animais cortados ao meio, sangue e testemunhas para alertar que se não houvesse cumprimento do acordo por uma das partes, toda a maldade que caiu sobre aqueles pobres animais cairia sobre o descumpridor da aliança de sangue. Aquela tocha de fogo que passou pelo corredor de animais mortos era o próprio Deus. Veja a que ponto Deus se rebaixou para dar uma garantia a Abraão. O Deus que não descumpre Sua Palavra e que a ninguém quer matar e partir ao meio disse a Abraão: “É assim que se faz uma aliança na terra entre os homens, Abraão? Só para lhe provar que não ‘estou de conversa’, Eu farei uma aliança de sangue com você, já que a minha palavra não lhe é suficiente. Eu corto uma aliança de sangue com você para lhe garantir que minha promessa vai acontecer”. Segundo Asher Intrater (judeu messiânico), o Criador do Universo “se prendeu a um relacionamento com um ser humano” ao fazer com Abraão uma aliança de sangue.

A seriedade de uma Aliança de Sangue

Em Jeremias 34, Jerusalém estava sitiada pelos babilônios e prestes a sucumbir. Há muito o povo de Israel vinha escravizando seus próprios irmãos, o que era proibido na lei de Moisés. Numa tentativa de amolecer o coração de Deus, fizeram uma aliança entre si e liberaram todos os escravos hebreus. Deus ficou feliz, pois finalmente iam cumprir Sua lei. Mas, no dia seguinte, a “ficha” deles caiu: “Quem vai fazer o serviço da casa? Quem vai substituir a mão de obra dos escravos?” Então, quebraram a aliança e chamaram os escravos de volta. Veja como Deus se indignou contra eles:

“Portanto assim diz o Senhor: Vós não me ouvistes a mim, para apregoardes a liberdade, cada um ao seu irmão, e cada um ao seu próximo; pois eis que eu vos apregoo a liberdade, diz o Senhor, para a espada, para a pestilência, e para a fome; e farei que sejais espanto a todos os reinos da terra. E entregarei os homens que transgrediram a minha aliança, que não cumpriram as palavras da aliança que fizeram diante de mim, com o bezerro, que dividiram em duas partes, e passaram pelo meio das suas porções; a saber, os príncipes de Judá, e os príncipes de Jerusalém, os eunucos, e os sacerdotes, e todo o povo da terra que passou por meio das porções do bezerro; entregá-los-ei, digo, na mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a sua morte, e os cadáveres deles servirão de alimento para as aves dos céus e para os animais da terra.” (Jeremias 34.17-20)

Essa aliança não foi entre Deus e homens, mas entre homens e homens, porém, diante de Deus. Deus estava indignado porque eles passaram no meio do bezerro cortado, prometeram libertar os escravos e depois quebraram essa aliança de sangue. Foi algo muito sério aquilo que fizeram.

A Nova Aliança no sangue de Jesus

Na ceia, que tipo de aliança nós celebramos? A Nova Aliança no sangue de Jesus. É semelhante àquela que vimos em Gênesis e que aparece em todo o Velho Testamento. Há muitos versículos no Novo Testamento que falam sobre o sangue de Jesus. É verdade que a nova aliança é de graça e incondicional, que nós não a merecemos e que podemos nos aproximar do Trono da Graça com confiança (Hebreus 4.16). Tudo isso é verdade, mas também é verdade que é algo muito sério. A oferta do Filho de Deus não é pouca coisa. Quem não discerne o Corpo (1 Coríntios 11.29) nem leva a vida cristã a sério não está entendendo o que é uma aliança de sangue.  Sua vida não lhe pertence, você foi comprado por um preço altíssimo que custou uma aliança de sangue. Você não é livre para fazer o que quiser, pois Jesus pagou um alto preço de sangue por você. Celebre a ceia pensando em quão miserável você é, mas, mesmo assim, o Cordeiro de Deus derramou o sangue dele em seu favor e agora você pertence a ele. Seja eternamente grato a ele porque seus pecados foram perdoados, estão sendo perdoados e serão perdoados, mas tenha consciência e temor das consequências de não levar essa aliança a sério. Que o Espírito Santo nos vivifique Sua Palavra e produza o temor de Deus em nós. Não apenas na hora da ceia, mas ‘principalmente’ nessa hora, pois é o momento em que celebramos a Nova Aliança no sangue de Jesus. O que você acha de um marido que trai sua esposa e chega em casa tranquilo, como se nada sério tivesse acontecido? É pecado trair, mas muito pior do que trair a aliança do casamento é agir com leviandade. A quebra de aliança tem consequência. A Nova Aliança não é brincadeira; é verdade que é de graça e sem merecimento, mas é aliança de sangue e você precisa entender a seriedade disso.

“Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10.19-25)

Deixe a Palavra de Deus penetrar em você. Não há necessidade de ficar abatido e condenado. A única coisa necessária é confessar seus pecados e receber o perdão de Deus. Não há merecimento, mas há consequências se não houver sinceridade. Não podemos ser legalistas, libertinos ou religiosos. Mas, se chegarmos com coração verdadeiro diante Dele, experimentaremos alegria e singeleza no coração.   No Velho Testamento havia um corredor entre os animais partidos. Mas, na Nova Aliança, passamos pela própria carne partida do Senhor Jesus. Ele foi partido na cruz para que pudéssemos comer dele. Na cruz, ele derramou seu sangue para que pudéssemos beber dele. Por isso, tenhamos liberdade e ousadia para entrar no santíssimo lugar pelo sangue de Jesus que foi derramado em sua morte. O véu, a sua carne, foi rasgada e inaugurou um caminho novo e vivo para nós. Parafraseando, ele “abriu um corredor por sua carne rasgada para que passemos no meio do Cristo partido”. Se ele ficasse vivo, não poderíamos passar, mas ele morreu e, por isso, podemos passar. Aquele que foi partido ressuscitou e, agora, temos “um grande sacerdote sobre a casa de Deus” (Hebreus 10.21). Ao mesmo tempo em que Jesus é o Cordeiro partido, ele é também o sacerdote que nos recebe no “fim do corredor”.

Como devemos chegar a ele? Sem mentira e sem fingimento, mas com verdade e luz. Aquilo que os outros veem deve ser o que você é. Chegue-se a Deus e à ceia reconhecendo que você é uma “porcaria”, mas uma “porcaria” aceita por Deus. Deus aceita todo tipo de “porcaria”; Ele só não aceita “porcaria com cara de crente”. Deus ama a sinceridade e a verdade. Ele não tem problema com pecado, porque o pecado Ele resolve. Ele tem problema com a religiosidade, pois esta encobre o pecado e nos faz fingir que somos santos. Então, “aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” (Hebreus 10.22). Ter um “coração purificado da má consciência” é ter seus pecados confessados, é andar na luz. Assim que fizer algo errado, procure alguém e confesse seu pecado, fique com a consciência limpa diante de Deus. “Corpo lavado com água limpa” se refere ao batismo. Não se deve tomar a ceia sem ser batizado. No batismo, minha mente é purificada porque recebo perdão pelo sangue. O que lava é o sangue, e não a água. Mas se eu não obedecer à Palavra e descer às aguas, o sangue não vai me lavar. Só posso ter a consciência purificada se eu for batizado.  Portanto, tendo o corpo purificado com água limpa, a mente purificada pelo sangue e um verdadeiro coração na luz, “retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é Aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10.23-25). Quero que você retenha duas coisas muito importantes:

  1. Que Deus nos ama tanto que nos deu Seu Filho, o que Ele tinha de mais precioso. Ele não precisa provar mais nada, pois já deu tudo. Ele não precisa lhe dar um carro novo ou uma casa nova para provar que o ama. Ele já deu Seu próprio Filho – o resto ele vai dar de “lambuja”. Romanos 8.31,32 diz: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?” A ceia é a celebração de um amor incompreensível – Deus nos ama mesmo sem “prestarmos” para nada. Ele ama porque Ele é Bom. Você pode confiar no Seu amor porque Ele verdadeiramente ama. E a prova disso é que Ele deu Seu próprio Filho, fez uma aliança de sangue de Seu próprio Filho. Então, entre com ousadia, confiança e alegria.

  2. Mas entre também com temor, porque se você não valorizar a aliança, o Deus que ama tem ciúme, ira e vingança. Cuidado com o uso que você faz desse presente tão maravilhoso. Grande alegria e grande temor devem andar juntos. Grande amor e grande ira. Sua vida cristã terá um “apagão” se você não tiver o fio negativo e o fio positivo. Só alegria, não tem o fio negativo. Só temor, não tem o fio positivo. Para ter luz, os dois são necessários.

O ciúme da Aliança

“Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas; de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hebreus 10.26-31)

Essa passagem é para ser lida com muita atenção. Fomos comprados por um preço de valor incalculável – o sangue de Jesus. É de graça e você pode entrar com intrepidez, pois Deus o ama. Ele já lhe provou que você é filho amado Dele. Ele torce por você e quer lhe dar todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus. Mas, se você banalizar e não zelar, se profanar e não valorizar, “se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.” (Hebreus 10.26,27).Ou seja, só restaa ira de Deus. Mas entenda que não podemos revidar ou exercer vingança sobre ninguém. A Bíblia nos ensina a fazer o bem ao nosso inimigo, falar bem daquele que nos trata mal, andar a segunda milha etc. Sabe por que temos de agir com bondade para com todos? Porque é Deus quem dá a vingança: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.” (Hebreus 10.30). Não que a vingança não exista, mas é Deus quem a exerce, e não nós.

“Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer, e se tiver sede, dá-lhe água para beber; porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça, e o Senhor te recompensará.” (Provérbios 25.21-22)

Você pode pensar que isso é injusto, mas é porque você não é juiz. Deus é o Juiz e haverá um dia terrível em que Ele julgará o mundo com justiça. Existem milhões de pessoas cometendo atrocidades e maldades terríveis contra o próximo – tráfico humano, abuso de menores, corrupção de todo tipo – e qual vai será a consequência de tudo isso? A Bíblia diz que todo mal que você fizer se voltará contra você. Ou seja, por toda a eternidade sofrerá pelos males praticados contra os outros. Quem sofre injustiça na terra terá recompensa no céu, mas quem pratica injustiça na terra, será eternamente castigado com a ira de Deus. Portanto, Jesus já nos livrou dessa ira. Tudo o que você fez e faz para os outros Jesus já levou sobre si. A Bíblia diz que Deus nos livra da ira vindoura se você levar essa questão a sério (1 Tessalonicenses 1.10). Deus somente quer de nós sinceridade, coração verdadeiro e grato. Se pecar e errar, peça perdão, levante-se e caminhe. Temos um Deus maravilhoso, um sacerdote maravilhoso e um sacrifício maravilhoso. Minha exortação é para que você não brinque com Deus. Deus é muito amoroso, mas também muito ciumento. Ele lhe deu Seu próprio Filho e se você não zelar desse presente e não valorizá-lo, terá de enfrentar a ira de Deus.

Orientações Práticas

  1. Todas as ceias que celebramos são em memória de Cristo. A ceia não é para ser avaliada; ela é para ser celebrada em memória de Cristo. Temos que prestar atenção na obra Dele. Que a cada ceia tenhamos mais seriedade, mais compromisso, mais temor e mais gratidão pela obra maravilhosa que Cristo realizou por nós.

  2. A ceia é inclusiva. Ela não é apenas de uma igreja. Se você nasceu de novo e foi batizado, pode participar da mesma em qualquer igreja cristã. Mas, se ainda não foi batizado, então não deve tomar a ceia. A Bíblia diz que a ceia é a renovação da aliança que fizemos no batismo. Assim, não faz sentido tomar a ceia sem ser batizado. Eu preciso entrar nessa aliança para que a ceia se torne a renovação dessa aliança. Ela é inclusiva no sentido de que é para irmãos de qualquer congregação do Corpo de Cristo. Mas, se você não é batizado e tem muita vontade de participar da mesma, peça o batismo. Na Bíblia, alguns pediram para ser batizados à meia-noite de tanta urgência que sentiram (Atos 16). Depois, eles participaram da ceia com alegria e singeleza de coração junto com todos os outros irmãos.

  3. É muito importante que tenhamos amigos íntimos como Jesus teve, com o mesmo desejo de participar da ceia. Assim, a ceia não será apenas uma cerimônia religiosa, mas uma celebração dessa aliança que Jesus fez conosco e entre nós, irmãos em Cristo, filhos do mesmo Pai. Amém!

Transcrição, Adaptação e Montagem de Textos: Elenir Cordeiro e Luiz R. Cascaldi

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