Mutualidade

Atualizado: 8 de jul. de 2021

Francisco Vanderlinde


Exortar não é somente corrigir, admoestar, aconselhar, mas também é encorajar, estimular os irmãos. A Bíblia Versão Amplificada diz: “Devemos ter um cuidado atencioso, contínuo, de uns para com os outros, procurando maneiras de estimular ao amor e às boas obras” (Hb 10.24).

A palavra “mutualidade” significa dar e receber. O amor, por exemplo, exige mutualidade, pois ele não existe somente em uma direção – é uma via de mão dupla. O Corpo de Cristo só é edificado nessa base de dar e receber. Eu preciso daquilo que existe nos irmãos que estão ao meu redor, mas eles também precisam daquilo que existe em mim. Então, não existe membro desnecessário ou sem função no Corpo; ninguém é dispensável.

Às vezes, alguém pensa que por ser “apenas um dedinho” não é útil ou necessário: “Ah, hoje eu não vou à reunião porque não farei falta”. Mas isso não é verdade, porque todos são importantes. Todos nós somos pastores no sentido de cuidar uns dos outros.

A Palavra diz também que somos servos uns dos outros (Gl 5.13). Essa palavra, no original grego, é traduzida por “escravo” (doulos). Embora tenham o mesmo significado, a palavra “servo” adquiriu com o tempo uma conotação mais elevada, bonita. Mas Paulo sempre se referia a si mesmo como “escravo do Senhor Jesus”. Então eu pergunto: o escravo tem vontade própria? Até tem, mas não é o nosso caso como servos de Cristo Jesus. Maria disse ao Senhor: “Aqui está a serva (escrava) do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lc 1.38). Um servo não discute com o seu senhor, mas está sempre pronto para ouvir e obedecer suas ordens.

No livro de Deuteronômio, por diversas vezes Moisés repete ao povo os mandamentos que o Senhor tinha dado, reforçando a questão da obediência para o seu próprio bem. Esse é o lado bom: somos servos, escravos, mas temos um Senhor bom! Ele só nos pede coisas boas, só nos dá boas ordens, ordens que apenas farão bem a nós e aos que estão ao nosso redor. Alguns dizem: “É muito difícil ser cristão”. Mas isso não é verdade, pois é maravilhoso sermos servos de Jesus. Coisa ruim é ser servo de Satanás – e só temos essas duas possibilidades. Fomos chamados pelo Senhor, Ele nos incumbiu de fazermos muitas coisas e, portanto, devemos obedecê-Lo.

“Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor encarregou dos outros servos para lhes dar o alimento no tempo certo? Bem-aventurado o servo a quem seu senhor, quando vier, encontrar agindo assim. Em verdade vos digo que o encarregará de todos os seus bens. Mas se aquele outro, o mau servo, disser no coração: Meu senhor demora a voltar, e começar a espancar seus conservos e a comer e beber com os bêbados, o senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe; e lhe infligirá castigo e lhe dará o destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 24.45-51)

Jesus está dizendo que o servo fiel e prudente ficou encarregado de alimentar os outros servos. Essa é a nossa missão: temos o encargo de ajudar a alimentar os nossos conservos. Estamos vivendo os tempos que precedem a volta do Senhor. Muitas coisas ruins e difíceis já estão acontecendo e alguns ficam muito preocupados com isso. Mas a nossa preocupação deve ser em servir os irmãos, pois Jesus diz que “bem-aventurado o servo a quem seu senhor, quando vier, encontrar agindo assim”.

Há pelo menos 15 coisas que podemos fazer uns aos outros (mandamentos mútuos):

  1. Confessar as nossas culpas ou pecados (Tg 5.16). Quando confessamos a Deus recebemos o perdão, mas quando confessamos aos outros (no Corpo) somos curados.

  2. Edificar (1 Ts 5.11; Rm 14.19).

  3. Levar as cargas (Gl 6.2).

  4. Orar (Tg 5.16).

  5. Ser benevolente (Ef 4.32).

  6. Sujeitar em amor (Ef. 5.21). Isso é ouvir, atender, obedecer.

  7. Ser hospitaleiro (1 Pd 4.9).

  8. Servir (Gl 5.13; 1 Pd 4.10).

  9. Consolar (1 Ts 4.18).

  10. Corrigir (Gl 6.1).

  11. Admoestar (Rm 15.14).

  12. Instruir (Cl 3.16).

  13. Exortar (Hb 3.13; 10.25).

  14. Perdoar (Cl 3.13).

  15. Amar (Jo 13.34).

Essa é uma lista interminável, mas são coisas muito práticas que podemos exercitar. Não basta frequentarmos reuniões, termos contatos esporádicos com alguns irmãos, orar e cantar juntos etc. Precisamos também relacionarmo-nos uns com os outros todos os dias. Temos os pequenos grupos, as igrejas nas casas e inúmeras outras opções para praticarmos essa mutualidade. Nesses grupos podemos ser cuidados e cuidar dos irmãos, exercitando os mandamentos de Jesus.

É verdade que sempre teremos problemas, mas é assim que aprendemos o perdão, o amor, a paciência. Alguém brincou dizendo que “onde estiverem duas ou três pessoas reunidas, ali haverá um conflito em potencial”. Mas os conflitos sempre nos ajudam a crescer no Senhor – tudo é benção! Paulo diz isso: “Sabemos que Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem daqueles que o amam, dos que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

Estamos vivendo um tempo novo no Senhor. Muitos irmãos tiveram experiências ruins de mutualidade no passado, mas tudo isso já acabou. Agora é tempo de esquecermos o que já passou e vivermos esse novo tempo. Precisamos nos aproximar mais dos irmãos e permitir que eles se aproximem de nós, e isso de todas as formas possíveis, em qualquer tipo de reunião ou comunhão. Devemos nos dar essa oportunidade de estreitarmos nossos relacionamentos e praticarmos os mandamentos de mutualidade.

Harold Walker disse em uma reunião de homens que “ser homem é fazer aquilo que você não gosta e não fazer aquilo que você gosta”. Pois eu quero usar essa mesma frase para todos nós hoje: Ser discípulo de Jesus é fazer coisas que não gostamos para dar espaço às coisas que o Senhor quer que façamos, porque aquilo que Ele quer é o melhor para nós! Amém!

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