O Pecado Do Orgulho

Atualizado: 8 de jul. de 2021

Jônatas Rocha


Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (…) Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. (Gênesis 2.15-17; 3.6)

Uma das coisas que corrompeu o homem devido à sua desobediência foi a confiança em Deus. Mesmo antes da queda percebemos esse fato quando, ao invés de conversar com o Senhor sobre o fruto da árvore proibida, ele optou por comê-la. Entendemos, assim, que a independência de Deus está na base do orgulho humano: a confiança em si mesmo, no que sabe e faz. Com a queda todos nós herdamos essa natureza pecaminosa e nos distanciamos de Deus.

Pensando sobre isso, um texto que fala bem forte ao meu coração é Romanos 8.1,1:

Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.

O que Jesus fez é muito poderoso e nos livra desse conflito que o pecado trouxe. Quando temos muito conhecimento natural argumentamos, questionamos, desconfiamos, arrumamos desculpas e vivemos em conflitos mentais, pois o conhecimento nos deixa orgulhosos, independentes do Senhor e confiantes em nós mesmos.

Vemos, principalmente nos livros de Isaías e Ezequiel, uma ira muito grande do Senhor contra o orgulho, a soberba, a altivez do povo de Israel. O terrível pecado da Babilônia era querer ser igual a Deus. No entanto, o eterno desejo Senhor é reinar em nós e através de nós.

Temos visto muitas coisas acontecendo em nosso meio em termos de serviço, adoração, comunhão, oração. Isso prova que um grande avivamento está vindo novamente sobre a igreja. No século passado a igreja experimentou esse avivamento, mas, infelizmente, muitos líderes caíram por causa de dinheiro, poder e arrogância. Homens que antes humildes, depois de receberem muito de Deus não suportaram e caíram. Por isso, o alerta do Senhor para nós hoje é que fiquemos precavidos e atentos para esse pecado do orgulho, pois estamos novamente experimentando os milagres de Deus e não há nada que não seja corrompível, principalmente os dons que Ele nos dá.

É muito explícito o pecado do orgulho agindo nas nações – os sistemas políticos, econômicos e de comércio agindo nas mãos de poucas pessoas arrogantes que utilizam dessas riquezas e poder para se corromper. Mas a Palavra diz que o Senhor vai trazer justiça sobre essas coisas. Seu nome será santificado e glorificado nas nações, Seu juízo virá e já está começando.

Minha preocupação é que essa situação muitas vezes passa despercebida aos nossos olhos e corações devido ao nosso orgulho religioso. Eu creio que da mesma forma que o Senhor está nos dando muitas coisas também podemos nos prevenir de cair nesse pecado.

Há várias formas desse orgulho se manifestar. Por exemplo, alguém que cai em pecado e se entristece, chora e não aceita ser confortado. Não há louvor algum em ficar se autocondenando (pelo contrário, é orgulho), pois a misericórdia de Deus é maior que os nossos pecados. Os méritos de Cristo anulam tudo o que fizemos e fazemos de errado. A autocondenação é uma atitude de orgulho pois revela arrogância e autossuficiência, o pensamento de que a mudança só depende do nosso esforço pessoal. Mas isso apenas nos cansa, enfraquece e desanima, pois percebemos que não conseguimos mudar pelos nossos próprios méritos e esforços. Não é uma atitude que agrada a Deus pois não há nada que possamos fazer que fará o Senhor nos amar mais ou menos. É por isso que Paulo diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.

É um engano pensar que as nossas lágrimas nos purificam mais do que o sangue de Jesus. Para Deus esse sangue derramado foi preciosíssimo, pois nos purificou e perdoou de todos os pecados que motivam e impulsionam nossas vidas. Pelo sangue tivemos acesso à graça do Senhor, fomos justificados e por meio dele permaneceremos em pé até que Cristo volte. Portanto, não é a nossa tristeza ou as nossas lágrimas que nos farão ter méritos com o Senhor.

No livro de Hebreus lemos que o Senhor não se agradou de sacrifícios e por isso enviou Seu filho Jesus, que em seu corpo cumpriu toda a vontade do Pai:

Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade. Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. (Hebreus 10.7-14)

A vontade de Jesus inserida em nós é o que nos dará força e capacidade para realizar toda a vontade do Pai. Não precisamos mais nos esforçar. Creio que chegará um dia em que a vontade Dele estará tão plena em nós que será bom, agradável e fácil obedecê-Lo. Mas, enquanto isso não acontece, Ele usa alguns meios para aprendermos que depender Dele é melhor – e um desses meios é a obediência. Quando obedecemos, percebemos que o que sacrificamos em prol da vontade de Deus é gostoso, prazeroso, agradável. E, à medida em que obedecemos, recebemos ainda mais graça e capacidade para fazê-lo, pois a obediência elimina o sentimento de orgulho e independência pessoal. É como termos uma despensa vazia e, cada vez que quisermos algo, recorrermos à despensa Dele.

Passei vários anos fazendo alguns cursos bíblicos. Aprendi e cresci bastante, mas percebi algo muito triste que aconteceu comigo depois. Comecei a ter um sentimento de que precisava ajudar os irmãos a despertar, pois os via governados pelo sistema do mundo. No entanto, entendi que todo esse desejo estava muito carregado de orgulho. É como se eu fosse o único capaz de fazer os irmãos se levantar e perceber as coisas do Senhor. Eu estava muito animado, mas aquele conhecimento adquirido estava apenas me distanciando da simplicidade de Cristo e tornando-me arrogante. “Eu não sou um cristão perfeito”, pensava, “mas estou bem melhor do que eles. Leio a Bíblia e oro todos os dias.” Estava confiando demais nas coisas que eu podia e sabia fazer. Era eu que “abriria os olhos das pessoas” e não o Senhor. Foi uma luta interior muito grande quando discerni essas atitudes em mim.

Temos recebido muito do Senhor nesses dias. O perigo é que tudo isso fica guardado na mente e não desce ao coração. Então, a pergunta é: O que fizemos com tudo o que já ouvimos e recebemos, com tudo o que Senhor já nos deu e falou? O que estamos praticando hoje? Somos muito privilegiados por isso, mas essas palavras têm frutificado ou permanecidas apenas na mente, no esquecimento? Têm sido apenas para aumentar nosso conhecimento?

Deus tem falado muito conosco sobre a importância da renovação da mente. Às vezes ficamos muito presos no conhecimento natural e determinismo humano. Achamos que os milagres são difíceis ou até impossíveis de acontecer e nos acostumamos a pensar de maneira natural, a viver pelas coisas determinadas pela lógica humana. Mas precisamos entender que as coisas naturais não têm o poder de impedir as ações e milagres do Senhor. O que Deus espera de nós não é um esforço demasiado, uma autoconfiança nas capacidades e experiências pessoais, mas que confiemos e dependamos inteiramente Dele. Uma confiança que “não desconfia”, que não questiona, que não gera argumentos ou resistências. Então, à medida em que obedecemos, aprendemos a confiar e depender cada vez mais do Senhor.

Jesus estava na glória, tinha tudo, era perfeito e completo. No entanto, ele abriu mão de tudo isso e veio à Terra “em semelhança de carne pecaminosa” (Rm 8.3). Ele, “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8). Enquanto o homem, as nações e Satanás querem o poder, o controle, o domínio sobre todas as coisas, Jesus fez o caminho inverso – ele desceu, se humilhou, se esvaziou de tudo – e é para esse caminho, para essa vida que Deus nos chama.

Ninguém nasce humilde; essa não é uma virtude da carne. A humildade é produzida pelo Espírito Santo em nós e o caminho para isso é o quebrantamento, é sermos coparticipantes dos sofrimentos de Cristo (1 Pd 4.13). Por isso, precisamos reconhecer que somos cheios de orgulho e muito vulneráveis ao mesmo. Qual a nossa real motivação quando nos incomodamos demais em não orar o suficiente, em não conhecer todos os assuntos da Bíblia, em não fazer tudo o que achamos que precisamos fazer? O que estamos querendo conseguir com isso? Será que não é fruto de orgulho? Um exemplo: alguém participa todos os dias de uma reunião de oração e, notando que muitos não o fazem, começa a criticá-los por isso: “Será que não podem se esforçar um pouco?” Isso revela um sentimento arrogante, de soberba espiritual, talvez um desejo de reconhecimento.

Há muitos meios que Deus usa para nos ajudar a discernirmos essa atitude e uma delas é ter amigos. Não precisamos apenas de conhecidos, colegas, pessoas que vemos apenas nos cultos aos domingos. Amigo é aquele que conhece as nossas fraquezas, os nossos pecados, pessoas com quem abrimos o coração e confessamos tudo aquilo que fazemos que não agrada a Deus. Confessar pecados a Deus é muito bom e necessário, mas fazê-lo para alguém é tremendamente maior. E não é confessar cada vez para uma pessoa diferente, mas sempre para a mesma pessoa, pois só assim ele poderá nos ajudar. Isso nos previne e livra de continuar no círculo vicioso do pecado produzido pela falta de arrependimento verdadeiro que, por sua vez, tem como causa o orgulho: “Ah, mas uma hora eu vou conseguir me livrar disso!” Assim, ter um amigo e aprender a abrir o coração com ele é fundamental para nossa libertação e crescimento.

Deus vai santificar o nome Dele nesses dias. O mundo vai conhecer quem é o verdadeiro Senhor. Ele vai reinar sobre as nações e mostrar que essas não são nada. Somos uma geração que experimentará muita graça, unção e poder de Deus. A história e as profecias mostram que falta muito pouco tempo para a volta de Jesus. Homens piedosos que estão conectados com o Senhor estão proclamando isso. Então, não é tempo de cometermos os mesmos erros que nossos irmãos do passado cometeram, de receber muito e reter a glória para si.

Lemos em Apocalipse 11 que Deus levantará duas testemunhas na Terra para profetizar, fazer milagres e trazer o céu para a Terra quantas vezes quiserem. Não é para os anjos, mas para nós, homens, que o Senhor dará esse poder. Somos nós que receberemos poder para movimentar as coisas naturais, terrenas e mostrar ao mundo que só há um Senhor – o grande EU SOU. Mas, o que nos chama a atenção é para as vestes dessas duas testemunhas: panos de saco (v.3). Ou seja, são desprovidas totalmente de si mesmas, sem qualquer tipo de vontade própria, isentas de orgulho ou arrogância, pessoas nas quais o Senhor deposita total confiança. Com elas Deus mostra que a confiança cega, total foi instaurada. Jesus veio, morreu e venceu para que isso aconteça. Ele disse:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mateus 11.28-30)

Se estamos lutando para alcançar as coisas, vivendo para nós mesmos, achando que precisamos ter méritos próprios, nada conseguiremos. Devemos parar, confiar e descansar só em Jesus. Caso contrário será apenas orgulho, arrogância, soberba, independência de Deus, falta de confiança na misericórdia eterna, firme e duradoura que excede todo o nosso entendimento. “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração”. Esse é o chamado do Senhor.

Antes disso, Jesus havia dito: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (v.25). Quem é a pessoa mais importante para a criança? Seu pai! Com certeza o nosso Pai nos dará muitas coisas nesses últimos tempos. Ele irá derramar todo Seu poder e unção, mas, qual é a melhor coisa que Ele pode e quer dar aos Seus filhos? Ele mesmo, Sua presença!

Podemos fazer muitas coisas, como diz 1 Coríntios 13.1-3:

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

No entanto, se não tivermos amor nada disso terá valor. Conhecimento, profecias, dons, fé, esperança etc. irão acabar, mas o amor é eterno. Que o Senhor multiplique a revelação da Sua Palavra, multiplique o trabalho ministerial, multiplique o tempo de oração nas igrejas, estreite os nossos laços de comunhão e amizade, mas que tudo isso seja consequência do nosso amor a Ele. O conhecimento ensoberbece, mas “o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1 Jo 4.7). Muitos homens e mulheres não conhecem profundamente a Palavra, mas suas vidas demonstram os frutos do amor do Senhor.

Que essa palavra seja um alerta para nós hoje. Deus vai nos dar muitas coisas nos próximos dias e, se estivermos disponíveis a ouvir e receber, a se humilhar e abandonar todo orgulho e soberba, com certeza vamos usufruir dessa abundância de graça e amor que Ele está derramando. Que sejamos atraídos não pelas coisas que Ele nos está dando, mas, sim a Ele mesmo. Amém!

Transcrição e Edição: Luiz Roberto Cascaldi

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