Servir, Proclamar e Cuidar

Atualizado: 8 de jul. de 2021


Gostaria de falar sobre o nosso papel como Igreja e a nossa disposição de sair para evangelizar. Sabemos que somos uma Igreja católica e apostólica (porém, não romana). Católica, porque fazemos parte de um grupo muito maior que compreende todos os santos que foram salvos pelo Senhor no decorrer dos séculos em todos os lugares. Apostólica, porque fomos enviados pelo Senhor. Uma palavra sinônima para isso é missionária (aquele que tem uma missão). Portanto, tanto a palavra grega apostólica quanto a palavra latina missionária significam a mesma coisa: pessoas que foram enviadas. A Igreja é apostólica desde a sua origem – Jesus é chamado nas Escrituras de “o apóstolo”; ele foi enviado pelo Pai. Foi por causa deste envio que a Igreja veio a existir. Ela é apostólica também por causa dos seus fundamentos, os doze apóstolos. Paulo diz em Efésios 2.20 que estamos “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”. Ainda, é apostólica por causa da doutrina que recebeu dos apóstolos (At 2.42), como também e por causa do nosso envio, pois Jesus disse em João 20.21: “Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.” Assim, o nosso envio é baseado no envio de Jesus Cristo. Resumindo, somos apostólicos na nossa origem, no nosso fundamento, no que cremos e porque fomos enviados – e não somente alguns, mas toda a Igreja do Senhor. Nunca foi plano de Deus que o seu povo ouvisse o evangelho, se convertesse, fosse cheio do Espírito Santo e ficasse parado no mesmo lugar, por melhor que seja. Em Lucas 21, Jesus disse que os discípulos deveriam sair e pregar o evangelho a todas as nações, porém, ele também disse em Atos 1.4 que eles deveriam permanecer por um tempo em Jerusalém até que recebessem a promessa do Espírito Santo. Após isso, “sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8b). Cinquenta dias após a morte de Jesus o Espírito Santo desceu, e então eles deveriam sair de Jerusalém e pregar o evangelho até os confins da terra. Porém, não foi isso o que aconteceu. Conforme lemos em Atos 2.42-47, naquela igreja havia muitos profetas e mestres ensinando verdades profundas; a comunhão do povo era maravilhosa e não havia necessitados entre eles. Ora, quem iria querer sair de um ambiente desse? Por esse motivo, nos 6 a 8 anos seguintes eles ficaram parados em Jerusalém, atrasaram sua missão, e Deus precisou providenciar um estímulo em forma de perseguição para que eles saíssem e cumprissem seu propósito de vida. Em Atos 11.19-21 lemos que, por causa da tribulação que lhes sobreveio, todos foram dispersos e saíram anunciando a Palavra, com exceção dos apóstolos. Hoje em dia acontece o contrário: os apóstolos saem e a igreja fica. Deus nunca planejou que recebêssemos o evangelho e o Espírito e ficássemos parados no mesmo lugar, vivendo de forma tranquila e “comum”. O normal é que saiamos e preguemos o evangelho em todos os lugares. O Senhor nos deu um sinal muito forte dessa ideia quando Ele mandou o povo preparar a primeira páscoa (Êxodo 12). Eles deveriam comer o cordeiro assado naquela noite da seguinte forma: “lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa”. Ou seja, eles não continuariam no Egito, mas sairiam para cumprir sua missão. A região de Israel era a “esquina” do mundo, pois todas as caravanas que iam da China para a Europa ou da Ásia para a África passavam por lá. Por esse motivo, o Senhor queria colocar seu povo exatamente naquele lugar para que todas as nações ouvissem a Palavra. Existe hoje um grupo em Israel que afirma categoricamente que Moisés “errou o lugar”. Dizem que se eles fossem um pouco mais para o sul chegariam na península arábica, rica em petróleo; se fossem mais para o norte chegariam na terra fértil do Líbano. Mas Moisés não errou, justamente porque Deus não queria dar uma terra ao povo para que este se acomodasse, ficasse parado. Aliás, Deus nunca esteve interessado em terras, fato é que tudo o que hoje existe vai acabar (2 Pd 3.7). O plano de Deus sempre foi que o evangelho fosse anunciado a todas as nações, porém, em Jerusalém o povo parou. Há um texto em 1 Pedro que fala o que somos e para que somos: Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; (1 Pd 2.9) – Raça eleita – fomos eleitos por Deus, não porque temos alguma qualidade ou virtude, mas pela vontade e bondade dele, desde antes da fundação do mundo (Ef 1.4,5). – Sacerdócio real – somos sacerdotes reais da ordem de Melquisedeque (Hb 7.11). O papel do sacerdote é apresentar o povo a Deus e Deus ao povo. – Nação santa – somos um povo separado para o Senhor. – Povo de propriedade exclusiva de Deus – Ele é o dono das nossas vidas e não admite “sócios”! – A fim de proclamardes – esse é o nosso papel, missão, propósito, destino. Isso é o que somos e para que somos! Essa é a perfeita vontade de Deus para mim e para você! Não fiquemos filosofando ou discutindo com Deus, mas aceitamos o que Ele diz que somos e façamos o que Ele nos mandou fazer. Nós fomos salvos para salvar! Eu tive uma experiência muito forte no Haiti. Estava pregando a pastores e havia uma moça presente que parou para ouvir. Eu não tenho por costume fazer apelo, mas naquele dia eu fiz. Perguntei se alguém ali gostaria de colocar sua vida à disposição do Senhor, e ela foi à frente. Fui orar por ela, perguntei-lhe o que desejava, ao que ela respondeu: “Eu quero servir a Deus”. Assim, ela se converteu já com um destino, um propósito. A palavra grega para Igreja (Eclésia) significa “chamados para fora”. Então, se somos Igreja somos chamados para fora. Essa é a nossa natureza e destino. Foi para isso que Deus nos chamou. A palavra hebraica para Eclésia é qähäl, uma convocação para sair e fazer uma assembleia. Quando Deus manda Moisés ir até Faraó e dizer-lhe para liberar o povo, o texto diz: Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto. (Ex 5.1) Vemos que o objetivo de Deus não era ‘somente’ para libertar o povo da escravidão, mas que eles fossem para fora do Egito celebrar o nome do Senhor. Ou seja, a celebração ao Senhor era mais importante que a libertação pessoal. O nosso foco é a libertação, mas o foco do Senhor é a celebração do seu nome. Eles prosseguiram: O Deus dos hebreus nos encontrou; deixa-nos ir, pois, caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor, nosso Deus, e não venha ele sobre nós com pestilência ou com espada. (Ex 5.3).

A libertação que Deus produziu em nós é para que possamos servi-lo, pois no Egito ninguém pode servir, adorar ou servir a Ele. Só quando passamos “das trevas para sua maravilhosa luz” podemos fazê-lo: “…e lhe dirás: O Senhor, o Deus dos hebreus, me enviou a ti para te dizer: Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; e, até agora, não tens ouvido.” (Ex 7.16) Infelizmente, vivemos em um tempo egocêntrico onde tudo o que queremos é para nosso benefício, inclusive as nossas orações, que são carregadas de “mim, eu, para mim”: “abençoe minha vida, meu trabalho, minha família etc.”. Mas não foi para isso que Deus nos chamou! Ele nos chamou para abençoarmos a outros, para sairmos e servirmos a Ele e às pessoas.

Os três chamados ou objetivos de nossa vida:

1. Chamados para servir.

Na sepultura, na escravidão, no inferno ninguém pode servir ao Senhor. Por isso Ele nos libertou: para poder servi-lo. Esse deve ser o maior – e único – objetivo de nossa vida. “Deixa ir o meu povo, para que me sirva”. Essa promessa ou destino não é somente para os que estão no Egito, mas para cada filho e filha de Deus que queira servi-lo. É para isso que existimos. O nosso padrão disso é o Senhor Jesus Cristo, que é chamado na Bíblia de “servo sofredor”. A palavra ministro é “aquele que serve”. Ministério não é um título ou posição, mas uma função, um trabalho, um serviço aos outros. Ele é o nosso modelo, como diz Paulo em Filipenses 2: …antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. (vs. 7,8) Os discípulos, referindo-se a Jesus, lhe chamaram de “santo Servo Jesus” (At 4.27). Jesus foi servo de Deus e, como tal, ele nos serviu – e esse é o caminho do cristão. Servir é a primeira coisa que deve acontecer na vida do crente. Servir a quem? A todos os que estiverem ao meu redor: cônjuge, filhos, netos, pais, vizinhos, amigos etc. Esse é o nosso papel, o nosso chamado. Nascemos para servir e não para ser servidos. E até quando vamos servir? Até sempre, enquanto tivermos fôlego de vida, pois esse é o nosso papel, é isso o que Deus quer que façamos. Em Êxodo 21, temos uma figura muito interessante: a do escravo com a orelha furada: Porém, se o escravo expressamente disser: Eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos, não quero sair forro. Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre. (vs. 5,6) Chegava um tempo em que os senhores tinham de libertar seus escravos. Porém, quando um deles se afeiçoava ao seu senhor e optava por permanecer com ele, sua orelha era furada. Quem via aquele escravo logo deduzia que era um escravo de amor, alguém que havia escolhido livremente continuar servindo ao seu senhor. Os Morávios, em 100 anos, enviaram mais de 60.000 missionários. Havia lugares onde eles não podiam entrar, então eles se vendiam como escravos para ser levados àqueles lugares para pregar o evangelho. Assim, eles viviam literalmente uma vida de servidão – e esse deve ser o normal, o padrão, o comum nas nossas vidas. Jesus se tornou homem, se sujeitou aos seus pais e às leis humanas, escolheu uma profissão simples para poder servir as pessoas. Em Atos 4.36, lemos sobre José, um homem que servia ao povo, e por isso lhe deram o apelido de Barnabé (filho da consolação). Ele não conseguia ver um necessitado e não se mover para ajudar. Quando a igreja chegou em Antioquia e começou a crescer (Atos 11.19-26), os apóstolos enviaram Barnabé para servir aquele povo: “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.” (vs. 23,24). De acordo com esse texto, o que atraiu as pessoas à igreja não foram os sinais, mas a bondade de um homem. O que vai atrair as pessoas ao Senhor é uma Igreja cheia da bondade de Deus. Afinal, quem não deseja ficar perto de alguém bondoso, generoso, que serve? Aquela igreja foi solidificada por um homem com este caráter. Como você acha que seus vizinhos lhe chamam ou consideram? Barnabé ou “filho do trovão”, crente chato, iracundo, insuportável? A Palavra de Deus diz: “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.” (Os 11.4). É exatamente assim que eu e você atraímos as pessoas para Deus: com cordas humanas e laços de amor. Servir é o nosso primeiro chamado.

2. Chamados para proclamar.

Nós criamos a base (serviço), diminuímos a distância e quebramos o gelo com as pessoas, e depois proclamamos o evangelho a elas: Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pd 2.9) Assim como Jesus é “a expressão exata de Deus”, a Igreja é a expressão exata do Senhor Jesus. As pessoas vão olhar para nós e ver as qualidades de Jesus – não porque iremos imita-lo, mas porque ele está dentro de nós, e o que ele é em nós vai aparecer, vai se manifestar. Eu vejo que temos uma dificuldade muito grande para abordar as pessoas com o evangelho. No meu caso, por exemplo, quando sento ao lado de uma pessoa no avião e vejo que está lendo algo, dou um jeito de falar ou perguntar sobre aquele assunto – e em pouco tempo levo a conversa para o evangelho. Precisamos aprender a fazer a transição de uma conversa sem compromisso para uma conversa comprometida. Afinal, se não abrirmos a boca as pessoas não ouvirão a Palavra: “…como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14). Há um livro antigo de T. L. Osborn chamado “Buscando Almas Lá Fora, Onde os Pecadores Estão”. Logo no início do livro, ele diz que chegou ao salão da igreja e havia um grupo de irmãs orando com fervor por uma senhora, vizinha do salão, que era prostituta. Então ele perguntou: “Vocês já falaram de Jesus para ela?” “Não”, responderam, “mas estamos orando!”. Ele lhes disse: “Enquanto vocês oram aqui, ela vai para o inferno lá. Vocês devem orar, pedir o revestimento do Senhor e ir falar com ela.” Não existe nas Escrituras nenhum caso de anjos pregando às pessoas. Vemos anjos falando, dando instruções a profetas e discípulos, guerreando em favor do povo de Deus, mas nunca pregando o evangelho para alguém. Quem foi incumbido e revestido de autoridade para pregar somos nós, e os anjos estarão conosco nos apoiando e protegendo para fazermos a obra do Senhor. O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que (para isso, por causa disso) me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. (Lc 4.18,19) Dessas tarefas, quais são também as nossas? Com certeza, todas! Deus nos mandou fazer as mesmas tarefas que Ele mandou Jesus fazer. Eu e você podemos e devemos fazer essas mesmas coisas, pois para isso fomos chamados: para proclamar o evangelho. O serviço abre o espaço para a proclamação.

3. Chamados para cuidar.

Eu li uma história de um irmão que chegou em uma escola dominical nos EUA e disse: “Ontem eu evangelizei todo o norte do Texas!” Na verdade, ele comprou uma grande quantidade de folhetos e jogou os mesmos de um avião. Eu não sou contra folhetos, inclusive, sempre levo alguns comigo pois, caso não consiga falar, deixo com a pessoa. Mas não sinto com isso que cumpri meu ministério, e depois peço misericórdia a Deus por só ter conseguido fazer isso, pois o mais importante é falar, proclamar. E, depois de proclamar, devemos cuidar das pessoas. Ganhar e cuidar; proclamar e discipular. Alguns dizem: “Ah, mas eu não estou preparado para cuidar!”. Porém, quem está preparado para ser pai e mãe quando os filhos nascem? Parece, inclusive, que eles nos ensinam mais do que nós os ensinamos. Eles não vêm com “manual”, e o manual de um não serve para o outro! Isso aconteceu comigo e Irani. Tivemos a primeira filha e, como tínhamos lido muito sobre criação de filhos, achamos que estávamos preparados – mas ela nos provou que a teoria, na prática, é outra. Quatro anos depois veio a segunda, e descobrimos que era outra pessoa completamente diferente da primeira. Mais quatro anos veio a terceira, e dezoito anos depois veio o quarto. E então confirmamos que não sabíamos nada mesmo! Graças a Deus não veio o quinto, pois aí receberíamos um “diploma de incompetência”! Ninguém está preparado para criar filhos, mas os amamos desde o momento em que são gerados e cuidamos deles com todo nosso amor – e é a partir disso que Deus nos usa para fazê-los crescer. Nos responsabilizamos e cuidamos deles, e Deus nos abençoa por isso. Preparados, nunca; prontos, sempre. O mesmo Deus que nos capacita a proclamar também nos capacita a cuidar. E saberemos que eles estão prontos, maduros quando começarem a servir, proclamar e cuidar de outros. Meu pai na fé, Arthur Hemmons, me contou uma estória de duas pessoas que saíram para caçar ursos. Eles se prepararam com antecedência e combinaram o papel de cada um. Então um disse ao outro: “Você fica aqui, prepara as panelas e eu vou caçar o urso.” Depois de um tempo, o que ficou começou a ouvir gritos: “Abra a porta!!” Então ele olhou e viu o que havia saído, vindo correndo com um urso enorme atrás dele. Este entrou pela porta da frente, saiu pela porta de trás e gritou: “Cuida desse, pois eu vou buscar outro!” Muitos crentes fazem isso: trazem pessoas para os pastores cuidarem. O “versículo” que eu aplico para isso é: “Cada um cuide do seu urso!”. Se você caçou um urso, cuide dele; transforme-o em ovelha; dê seu coração a ele. A Palavra de Deus diz que não há nada mais sábio na face da terra do que ganhar almas (Pv 11.30). Tempos atrás, recebi uma mensagem no celular que dizia: “Jamê, eu acho que você não se lembra de mim, mas há mais de 30 anos eu participei de uma reunião onde você estava pregando, em Irajá-RJ, e naquela noite Deus falou muito forte ao meu coração e eu me entreguei a Ele.” Então ele me agradeceu por aquele dia, pela minha palavra, pela minha vida. Nós nunca saberemos o alcance das palavras que pregamos!

Eu estava na Bolívia e um jovem chegou e me disse: “Você é meu avô!” “Eu assustei e não entendi o que ele quis dizer. Mas então ele falou: “Você não é pai na fé de fulano? Pois então: ele me ganhou para Cristo, então você é meu avô!” Não há nada mais gratificante, não há nada que nos traga maior alegria do que ver pessoas se rendendo ao Senhor, pois é para isso que nós existimos. Portanto, guarde essas palavras em seu coração e as pratique: servir, proclamar, cuidar. Amém!

Jamê Nobre

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